quarta-feira, novembro 01, 2006

PERSU II

Está neste momento em discussão o Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos 2006-2016 (PERSU II) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) já fez sentir o seu desagrado com aquilo que está previsto acontecer.
Trata-se de um documento que visa estabelecer as normas para a próxima década, no que à gestão de resíduos sólidos urbanos diz respeito.
Vários são os pontos de discórdia, o que levou o presidente da ANMP a intervir durante esta semana, chamando a atenção dos portugueses que têm andado “distraídos” com a subida dos preços da electricidade.
As tarifas de resíduos sólidos, já elevadas, irão aumentar ainda mais. A situação pode tornar-se muito complicada para alguns dos municípios que já hoje sentem dificuldades em pagar as suas facturas aos Sistemas responsáveis pela gestão dos resíduos. Depois, quem acaba por sofrer são os munícipes, que vêm assim as suas contas no final do mês a aumentar cada vez mais. Esta tarifa vem normalmente indexada à factura da água.
Refira-se que apesar de em Portalegre essa tarifa já se encontrar presente há algum tempo, muitos são os municípios que ainda não a aplicam e esses terão certamente mais dificuldades num futuro muito próximo. No entanto a tarifa que os munícipes pagam, não consegue cobrir todas as despesas relacionadas com a gestão de resíduos.
A ANMP considera importante a existência de um Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos para a próxima década, no entanto esse Plano deverá ser mais realista e não utópico, não descurando os cidadãos e as suas dificuldades económicas.

A gestão de resíduos é um problema que afecta a todos, pelo facto dos resíduos fazerem parte do nosso dia-a-dia. A mentalidade da população, apesar de estar um pouco diferente para melhor, está ainda um pouco antiquada. São já muitos os que apostam na reciclagem, no entanto ainda há muita gente que não quer saber de ecopontos para nada e ainda gozam quem faz a separação dos resíduos.
Nas escolas, a temática ambiental está cada vez mais presente, e espera-se que a próxima geração seja mais ecológica que a de hoje, uma vez que a continuar assim, qualquer dia não há onde colocar os resíduos. Repare-se que cada pessoa produz em média cerca de 1,5 kg de resíduos por dia, o que dá 45 kg por mês e 540 kg por ano. Isto, repito, apenas para uma pessoa!

O PERSU II é um documento bastante extenso. Por esta razão deveriam dar mais tempo às entidades envolvidas na discussão para que pudessem analisá-lo. Quanto a mim, o facto de darem pouco tempo para análise deste tipo de documentos tem algum objectivo…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado: www.anmp.pt – Página da Associação Nacional de Municípios Portugueses

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro Eng.º Nogueiro,
Penso que o problema não está no documento em si, mas na dificuldade de sua implementação em regiões tão distintas como as que temos em Portugal, daí que se devesse diferenciar as condições e exigências, ou pelo menos talvez fasear a sua implementação.
Não gosto de pensar que possam existir motivos externos que se sobreponham às necessidades ambientais, por isso não concordo quando se levantam suspeitas sobre a rapidez do processo de análise e conclusão do documento, preferindo assumir a posição de que tal se deve apenas à urgência da sua implementação, dada a desactualização do anterior documento.
Mais acrescento que uma das principais notas a ter em conta é o tarifário e método como são cobradas as taxas de resíduos, dado que é errada e desajustada a forma de cálculo actual através do consumo de água por habitante.
Para terminar, gostaria que esclarecesse a relação que apresenta entre o PERSU II e a subida de electricidade, tal como expressa no início do seu artigo.
Saudações Ambientais e Benfiquistas!

Luis Nogueiro disse...

Grande João, como estás rapaz?
A referência à electricidade tem apenas a ver com o facto de ter sido muito falada nas notícias, devido ao seu aumento, estando as tarifas de resíduos esquecidas.
Agradeço o comentário.
Vai aparecendo.