sexta-feira, abril 18, 2008

ROLHAS RECICLADAS

A rolha de cortiça tem sentido, nos últimos tempos, uma enorme pressão por parte de outros produtos alternativos (vedantes sintéticos e cápsulas de alumínio), que são derivados do petróleo e do alumínio, indústrias ambientalmente nocivas. Há portanto necessidade de defender a rolha de cortiça como produto que garantiu e deverá continuar a garantir a manutenção do montado de sobreiros, um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do continente europeu e que se estima absorver, por ano, 4,8 milhões de toneladas de CO2, um dos principais gases causadores do efeito estufa e do consequente aquecimento global. Como a cortiça é a própria casca da árvore, também retém CO2 e ao ser reciclada, evitam-se emissões deste gás para a atmosfera, contrariamente ao que acontece quando se decompõe ou é incinerada.
Por esta razão, não poderia deixar de falar de um projecto de reciclagem de rolhas de cortiça que a Quercus desenvolveu em parceria com a Corticeira Amorim, a Modelo/Continente e a Biological, chamado GREEN CORK. Tem como objectivo não só a transformação das rolhas usadas noutros produtos, mas, também, com o seu esforço de reciclagem, permitir o financiamento de parte do Programa “CRIAR BOSQUES, CONSERVAR A BIODIVERSIDADE”, que utilizará exclusivamente árvores que constituem a nossa floresta autóctone, entre os quais o Sobreiro. O projecto foi construído tendo por base a utilização de circuitos de distribuição já existentes, o que permite obter um sistema de recolha sem custos adicionais, que possibilita que todas as verbas sejam destinadas à plantação de árvores. Tudo isto, claro, sem aumentar as emissões de CO2!
Refira-se que as rolhas de cortiça recicladas nunca são utilizadas para produzir novas rolhas, mas têm muitas outras aplicações, que vão desde a indústria automóvel, à construção civil ou aeroespacial.
A internacionalização do projecto está já a ser negociada pelo que, em breve, as rolhas usadas de outros países europeus começarão a ser recicladas em Portugal, dentro de um esquema montado a partir daqui, resultando num contributo adicional para o esforço de reflorestações e conservação de florestas autóctones portuguesas.

Pode começar já a juntar as suas rolhas de cortiça! A partir de dia 22 de Abril (Dia da Terra) será iniciada a recolha nos restaurantes. No Dia 5 de Junho (Dia Mundial do Ambiente) já poderá colocar as suas rolhas nos "Rolhinhas" dos Hipermercados Continente e posteriormente a recolha será alargada a outros locais.

Trata-se portanto de mais uma boa prática que deverá contar com o apoio de todos os portugueses, não só pela defesa do ambiente mas também pela defesa patrimonial.

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sexta-feira, abril 04, 2008

TARIFA DE RESÍDUOS

Realizou-se esta semana, nos dias 1 e 2 de Abril a 2ª Conferência de Resíduos “Novas Políticas, Novos Negócios”, na qual tive a oportunidade de estar presente apenas no primeiro dia. Entre as várias temáticas abordadas, o tarifário de resíduos foi o tema que mais despertou a atenção dos presentes. Actualmente os munícipes pagam apenas a deposição de resíduos em aterro, no entanto todo os serviço que está associado à recolha e encaminhamento de resíduos não está neste momento a ser pago e terá de o ser, por aplicação do princípio do poluidor-pagador. A actualização das tarifas por parte dos municípios não vai acontecer de um ano para o outro, tal como referiu na conferência Dulce Álvaro Pássaro, vogal do Conselho Directivo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR). Até agora, “nenhum munícipe pagou pelo tratamento de resíduos, apesar de estes estarem a ser tratados pelas autarquias”, lembrou Dulce Álvaro Pássaro. A tarifa mensal de resíduos, que será definida dentro de dois anos em sede de regulamento, pode chegar aos 8 euros, mas, para a responsável do IRAR, “não é nada do outro mundo pagar-se mais 6 ou 8 euros mensais por fogo” (será assim tão indiferente para a população?!).

Uma outra oradora, Filipa Santos, gestora de projectos da Weber Portugal, apresentou um estudo sobre a aplicação do sistema Pay-As-You-Throw (PAYT) no concelho de Óbidos, admitindo que a solução de aplicar uma tarifa variável, associada à produção de resíduos, é a mais razoável. Trata-se de um sistema em que quanto menos resíduos se produzirem e mais se separarem, menos vão pagar. Este sistema, apesar de também eu o considerar razoável, pareceu-me ser de difícil implementação e execução, por todas as acções que implica.

Para a aplicação generalizada da taxa o IRAR precisa de mais dois anos. “Depois de termos o regulamento aprovado, precisamos de mais dois anos para os municípios e as entidades gestoras se organizarem”, concluiu Dulce Pássaro.

Em suma, é preciso ter consciência de que as tarifas, que já hoje são elevadas, vão aumentar ainda mais.

Para finalizar, deixem-me que partilhe convosco mais uma vitória conseguida na minha vida. Prestei provas de mestrado no passado dia 2 de Abril na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa com a dissertação “Práticas de Gestão Ambiental na Administração Pública Local”, tendo conseguido obter o grau de Mestre.

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segunda-feira, março 24, 2008

MONITORIZAÇÃO DE LIXEIRAS

Todos estão certamente recordados da mega operação de encerramento e selagem das cerca de 341 lixeiras municipais existentes em Portugal, que teve lugar em 2000, por intermédio de José Sócrates, na altura Ministro do Ambiente.

A instalação e a entrada em funcionamento de novas infra-estruturas de gestão de resíduos e a selagem e a recuperação paisagística das antigas lixeiras não significa que se tenha obtido a resolução por si só dos problemas. Por baixo destes locais permanecem toneladas de resíduos em decomposição, num processo que pode durar mais de 50 anos, continuando a produzir lixiviados (águas de escorrência) e a libertar biogás. Neste sentido, subsiste a necessidade de assegurar a vigilância dos locais, a sua monitorização do ponto de vista morfológico e ambiental, e, tanto quanto possível, a recolha e o transporte para destino adequado dos lixiviados que continuam a ser gerados, bem como a extracção do biogás produzido.

O problema é que a monitorização foi deixada ao acaso, sem que a legislação especifique quem a deve fazer, como deve ser feita e durante quanto tempo. “A legislação diz que os detentores dos resíduos, ou dos locais contaminados com resíduos, são os responsáveis pela sua gestão. Como as lixeiras eram das câmaras parece-me que a responsabilidade deve ser delas”, salienta Graça Martinho, professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. A especialista em gestão de resíduos assegura ao jornal Água&Ambiente que “isto só não será assim se nos contratos de concessão estabelecidos entre as câmaras e os sistemas de gestão de resíduos estiver lá especificado que os sistemas passam a ser responsáveis pela gestão e monitorização das lixeiras herdadas das respectivas autarquias”.

Por sua vez, João Levy, presidente da Associação das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente (AEPSA), refere que “a lei não é clara, porque muitos contratos de concessão de encerramento de lixeiras, não contemplaram a fase de monitorização”.

O director técnico da EGF, Artur Cabeças, explica que algumas autarquias têm solicitado este tipo de serviço à subholding da Águas de Portugal para os resíduos, em virtude da sua falta de conhecimento sobre a matéria. No entanto sublinha que esta responsabilidade cabe inteiramente aos municípios. Mas Fernando Campos, vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, aponta o dedo ao ministério do Ambiente, que deveria “assegurar essa monitorização”. O jornal Água&Ambiente tentou obter mais informação sobre esta situação junto da Agência Portuguesa para o Ambiente, mas esta não se mostrou disponível.

Com um provérbio me despeço – “Na casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão”.

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sexta-feira, março 07, 2008

RECICLAGEM DE FRALDAS

Caros leitores. Antes de mais queiram aceitar desde já o meu pedido de desculpas pelas falhas que tem havido, da minha parte, na publicação Fonte Verde. A dissertação de mestrado já está entregue pelo que prometo não voltar a falhar com a publicação quinzenal deste espaço.
Esta semana falo-vos de uma noticia da Agência Lusa, sobre um estudo de viabilidade financeira, que está a ser efectuado pelo Governo, de um sistema nacional de reciclagem de fraldas descartáveis, já que toneladas destes resíduos são todos os dias depositadas em aterros, onde podem resistir 500 anos, ou queimadas em incineradoras. Os últimos estudos internacionais sobre as fraldas indicam que cada bebé usa cerca de cinco mil fraldas nos primeiros dois ou três anos, o que corresponde a cerca de uma tonelada de resíduos. A sua colocação em aterro é um problema ambiental que vários países têm evitado, recorrendo à instalação de centros de reciclagem que recolhe as fraldas e recicla o plástico e pasta de papel que as compõem.

"Em Portugal não há nenhuma unidade de reciclagem" de fraldas, lamenta Rui Brekemeier, da Quercus, porque não se faz a separação destes resíduos do restante lixo orgânico e o "ambiente é muito lesado por este tipo de produtos", afirma. "Na Holanda, por exemplo, reciclam-se as fraldas separando a parte impermeável, em plástico, da celulose, mas há sempre uma grande parte destes resíduos que não é recuperada", observa o dirigente da Quercus.
Há já uma empresa interessada no negócio, que desde há dois anos aguarda regulamentação e autorização parta instalar três unidades de reciclagem, um negócio que promoveu recentemente em Espanha. Por definir está a forma como poderão ser recolhidas as fraldas, se colocando ecopontos em locais específicos (como creches ou maternidades) ou fazendo a recolha porta-a-porta. Aura Carvalho, da Tecnoexpor, empresa que está a tentar trazer a tecnologia para Portugal, explica que as fraldas descartáveis têm um baixo valor calórico para incineração e que a sua tecnologia pode retirar por completo as fraldas descartáveis dos aterros. A tecnologia, desenvolvida pela empresa Knowaste, mas divulgada pela Tecnoexpor, desinfecta e separa todos os componentes das fraldas – a pasta de papel, o plástico – e transforma-os em produtos reciclados, como telhas, solas de sapatos ou papel de parede.

Para terminar, permitam-me que realce dois pontos: (i) quero felicitar o meu colega e amigo Tiago Gaio, por ter começado a escrever neste jornal, com um espaço sobre Energia. Para além disso felicitá-lo ainda pela organização do Workshop sobre Energias Renováveis que decorreu no NERPOR, na passada terça-feira, dia 4 de Março. Numa terra onde se fala muito da falta de participação, foi possível ver o auditório completamente cheio, com mais de 150 pessoas. (ii) quero ainda prestar uma singela homenagem aos médicos do Hospital Curry Cabral que salvaram a vida da Cláudia (uma amiga minha). Referidos nos últimos tempos na imprensa, relativamente aos elevados ordenados que auferem, pergunto-vos quanto vale uma vida? Quanto vale a vida de um amigo? Pois é, não tem preço…Cláudia, bem-vinda!
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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

AUTARQUIAS (DE)LIMITAM REN

A exclusividade das autarquias na delimitação da Reserva Ecológica Nacional (REN), a ausência de qualquer tipo de discussão pública e a proliferação de potenciais deferimentos tácitos e de Planos Especiais de Ordenamento do Território sem valor, estão entre as principais críticas que a Quercus aponta, em comunicado, à futura legislação de ordenamento do território.
A Reserva Ecológica Nacional é um instrumento de ordenamento do território criado na década de oitenta com o objectivo principal de salvaguardar áreas importantes em termos ecológicos, de protecção dos recursos hídricos e dos solos, e como forma de redução de um conjunto de riscos nomeadamente de erosão, deslizamento de terras e cheias.
Visto por muitos, principalmente por diversas autarquias e particulares, como um enorme obstáculo a um suposto desenvolvimento (em termos de construção), há sem dúvida aspectos que merecem ser corrigidos e a proposta agora efectuada tem diversas valências positivas. Porém, o diploma que o Governo se prepara para aprovar é considerado pela Quercus como mais uma enorme machadada na política ambiental e de ordenamento do território.
A delimitação da REN vai ser efectuada e aprovada a nível municipal pelas próprias câmaras podendo-se excluir as áreas de construção já licenciada ou autorizada (mesmo que tal tenha ido contra a lei por estar em zona actualmente de REN), podendo ficar de fora da REN as áreas “destinadas à satisfação das carências existentes em termos de habitação, actividades económicas, equipamentos e infraestruturas” (artigo 39º). Tal significa obviamente uma aplicação completamente discricionária e ampla em cada um dos municípios, não permitindo assim proteger os valores e promover a redução dos riscos associados ao regime da REN. Apesar deste último princípio já estar de certa forma contemplado na actual legislação, o facto de a aprovação ser efectuada pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRs) tem limitado as intenções expansionistas das autarquias em termos de construção, o que agora é ultrapassado.A Quercus estranhou ainda o total silêncio mantido por parte do Governo, relativamente a este assunto que tem motivado uma enorme polémica, mas que sempre tem sido alvo de discussões públicas quando se pretendeu alterar. Desta feita isso não aconteceu. O que é, sem dúvida, de lamentar.
Os pedidos de autorização relacionados com acções em REN às CCDRs, previstos para todo um conjunto enorme de situações, na falta de decisão final num prazo de 45 dias, equivalem à emissão de decisão favorável (artigo 52º, alínea 9.). No que respeita ao regime transitório (artigo 55º) há também aprovação tácita de projectos de obras ou de localização de empreendimentos ao fim de 60 dias. Conhecendo a incapacidade de recursos humanos das CCDRs que em diferentes valências de ordenamento do território não conseguem respeitar muitos dos prazos, a REN passará a ser ocupada à custa de sucessivos deferimentos tácitos.
Igualmente inqualificável é o facto de nos Planos Especiais de Ordenamento, como seja o caso de uma Área Protegida, a reclassificação da REN a ser feita pelas câmaras será a considerada válida, tendo os Planos Especiais de integrar a nova delimitação, quando até agora tem sido exactamente ao contrário (nº 4 do artigo 45º).

No final do documento pode ainda ler-se que “a Quercus considera uma enorme desilusão a postura que o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional tem revelado nos últimos meses em múltiplas questões ambientais”, dando como exemplos a aprovação de barragens com grandes impactes ambientais, a descaracterização da Rede Natura, entre outros.

Dando este poder às autarquias, resta saber se estas vão delimitar ou limitar a REN.

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

ÍNDICE DESEMPENHO AMBIENTAL

O anúncio foi feito no Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça. Portugal ficou em 18.º lugar no Índice de Desempenho Ambiental, derivado do trabalho feito na área do clima, poluição do ar, água, recursos naturais e qualidade ambiental, conforme noticiou o jornal Público, entre outros. Este índice foi elaborado por uma equipa das universidades de Yale e Columbia.
A lista de 149 países é liderada pela Suíça (95,5 %), logo seguida da Noruega, Suécia e Finlândia. Os últimos são o Níger (39,1%), na 149ª posição, Angola e Serra Leoa. À frente de Portugal (85,8 %) estão ainda a Costa Rica, a Áustria, Nova Zelândia, Letónia, Colômbia, França, Islândia, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Eslovénia, Lituânia e Eslováquia. Espanha surge na 30ª posição, os Estados Unidos na 39ª e a China na 105ª.
No contexto da União Europeia, Portugal posiciona-se na 11ª posição, à frente de Países como Itália, Dinamarca, Espanha ou Holanda.
Este índice avalia o desempenho ambiental com base em 25 indicadores, distribuídos por seis categorias de políticas: saúde ambiental, poluição do ar, recursos hídricos, biodiversidade e habitat, recursos naturais e alterações climáticas. Estas categorias resumem-se a dois grandes objectivos do índice: reduzir os efeitos nefastos do Ambiente na saúde humana e promover a vitalidade dos ecossistemas e a gestão sustentável dos recursos naturais.
Os indicadores acabam por reflectir as prioridades ambientais dos governos e a concretização mundial do objectivo 7 dos Objectivos do Milénio, definidos pela ONU no ano 2000: "garantir a sustentabilidade ambiental".
Das seis categorias, Portugal tem o pior desempenho na área da biodiversidade e habitat, ficando abaixo da média. Na verdade, os piores resultados surgem no indicador de áreas marinhas protegidas e conservação efectiva da natureza (prova de que as nossas áreas protegidas estão cada vez mais desprotegidas!). Portugal posiciona-se acima da média europeia em cinco das seis categorias: qualidade ambiental, poluição do ar, água, recursos naturais e alterações climáticas. Os indicadores onde o país conseguiu os melhores resultados passam pelo saneamento básico, água potável, emissões per capita e protecção de habitats críticos.
A análise das posições sugere que “a riqueza é um factor determinante do êxito ambiental”, segundo um comunicado da universidade de Yale. “Os países com melhores resultados (...) adoptaram políticas públicas para mitigar os danos provocados pela actividade económica”. Já os “países com piores classificações, não realizaram as mudanças necessárias na saúde pública ambiental e têm fracos regimes de política pública”. “Cada país tem algo a aprender com o Índice de Desempenho Ambiental. Mesmo os países com melhores posições têm áreas nas quais o seu desempenho não é óptimo”, comentou Daniel C. Esty, director do Centro de Legislação e Política Ambiental da Universidade de Yale e professor de Legislação e Política Ambiental.
Convenhamos que o 18.º posto alcançado por Portugal é um bom resultado. No entanto e apesar de certos avanças já visíveis, nomeadamente a aposta cada vez maior em energias renováveis, há ainda muito a fazer, pelo que é possível atingir um resultado ainda melhor. Brevemente voltarei a abordar este tema, o qual também desenvolvi na dissertação de mestrado que estou a terminar.

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

BERLENGA SUSTENTÁVEL

Terminada que está a época de excessos, quero aproveitar para lhe desejar um próspero ano de 2008, acima de tudo com muita saúde e sempre em bom ambiente.

No passado mês de Novembro, aproveitei um fim-de-semana alargado e fui até Peniche passar uns dias extremamente agradáveis, num local que há muito não visitava. Aproveitando o clima, que mais fazia lembrar a época primaveril, tentei visitar a ilha da Berlenga, sobre a qual já tinha efectuado um trabalho nos tempos da faculdade, mas que infelizmente nunca tinha tido a oportunidade de visitar. Como o mar estava calmo e havia pessoas suficientes para que a viagem se realizasse, lá fui até à Berlenga.
Local fantástico, capaz de nos dar a capacidade de voar juntamente com as gaivotas, que são as proprietárias da ilha, por entre paisagens magnificas, águas límpidas e enorme sensação de paz interior.
Para quem já conhece, estas palavras que aqui escrevo pecam por não terem a capacidade real de transmitir o que por lá se sente. Para quem não conhece, o melhor mesmo é ir até lá.

Não sendo esta secção de opinião um roteiro de viagens, escrevo este artigo para vos falar sobre o projecto “Berlenga – Laboratório de Sustentabilidade”. Foi já iniciada a instalação dos primeiros painéis solares fotovoltaicos, para produção de energia eléctrica. Este sistema piloto envolve a colocação de 12 painéis solares com uma potência total instalada de 1,84 kW, que permitirão inverter a actual situação da Berlenga ao nível energético.
Esta acção conta com o apoio de 2 parceiros-chave, EDP – Energias de Portugal e a Marinha Portuguesa – Direcção de Faróis. A instalação deste sistema piloto envolve, para além da geração de energia eléctrica, a colocação de equipamentos que irão permitir o armazenamento da energia produzida e a sua posterior distribuição por algumas das casas do Bairro dos Pescadores.
Na ilha da Berlenga, à excepção do farol e das residências anexas, a energia eléctrica é proveniente de geradores eléctricos alimentados a gasóleo. Este consumo de gasóleo apresenta claros impactes negativos ao nível ambiental, com uma emissão de gases com efeito de estufa na ordem de 40 toneladas CO2 por ano.O projecto “Berlenga – Laboratório de Sustentabilidade” pretende dotar a Ilha de capacidades de geração e armazenamento de energia produzida a partir de fontes renováveis (eólica e fotovoltaica), bem como de produção de água potável e tratamento de águas residuais e resíduos sólidos. A ilha principal que integra o arquipélago das Berlengas é a única com ocupação humana permanente; com este projecto procura-se minimizar as ameaças geradas por esta ocupação.
São diversas as empresas/instituições nacionais e internacionais envolvidas neste projecto, nomeadamente o Centro para a Prevenção da Poluição (C3P), a Câmara Municipal de Peniche, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), EDP – Energias de Portugal, EFACEC, AdP – Águas de Portugal, ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade, INESC Porto – Instituto de Engenharias de Sistemas e Computadores do Porto, INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Galp Energia, NASA – National Aeronautics and Space Administration, e Marinha Portuguesa.
Este projecto pretende ser um marco ao nível do desenvolvimento sustentável nacional e servirá de base a uma candidatura da Berlenga à Reserva da Biosfera, galardão internacional atribuído pela UNESCO. O plano de investimentos, poderá atingir os 2 milhões de euros sendo 120 mil euros provenientes do próprio Município de Peniche.
E com notícias destas, existe melhor maneira de começar o ano de 2008?

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sexta-feira, dezembro 14, 2007

É NATAL!

E eis que chega a época predilecta dos miúdos e porque não também dos graúdos! É verdade, o Natal já se sente um pouco por todo o lado. As ruas já estão iluminadas e animadas pelas músicas de Natal, as árvores e os enfeites natalícios multiplicam-se pelos centros comerciais e pelas nossas casas, as lojas e os hipermercados sentem o consumismo característico da época e as crianças escrevem as suas cartas ao Pai Natal pedindo o presente mais desejado!
Mas o Natal também é sinónimo de impactes ambientais. São os pinheiros para enfeitar, os papéis de embrulho e as próprias embalagens de cartão que resguardam os brinquedos, as deslocações de automóvel para que na noite de Natal não falte prenda para ninguém, entre outros. Por todas estas razões, e à semelhança de anos anteriores a Associação Ambiental Quercus deixa alguns conselhos simples para um Natal mais Ecológico e Sustentável:
- Enfeite uma árvore de Natal artificial ou, se preferir as verdadeiras, recorra apenas a árvores vendidas com autorização (bombeiros, serviços municipais), como garantia da sustentabilidade do corte;
- Substitua o azevinho verdadeiro, uma espécie vegetal em vias de extinção, pelas bonitas imitações artificiais de azevinho que existem no mercado e que têm a vantagem de poderem ser reutilizadas de uns anos para os outros;
- Utilize enfeites de Natal que possa reutilizar por muitos e longos anos ou seja original e crie os seus próprios enfeites a partir da reciclagem e reutilização de materiais;- Adquira lâmpadas energeticamente eficientes para reduzir a sua factura energética e ambiental;- Isole bem a sua casa de modo a reduzir os gastos com o aquecimento e também para poupar recursos;
- Utilize os transportes públicos para fazer as suas compras de Natal, ou então, junte-se com amigos ou familiares num mesmo veículo e vão às compras conjuntamente. Para além de ficar mais barato, está a contribuir para a redução das emissões de dióxido de carbono na atmosfera;
- Na hora de comprar as prendas, privilegie os produtos amigos do ambiente e prefira que não sejam embalados em excesso ou em embalagens complexas, pois além de serem mais caros, misturam vários materiais e dificultam a reciclagem;
- Leve sacos de pano para as compras, caso não os tenha tente utilizar o menor número possível de sacos plásticos. Oferecer sacos de pano para as compras poderá ser uma ideia para uma prenda!
- Privilegie os produtos nacionais, pois para além de contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa, também reduz o impacte ambiental associado ao transporte de produtos;
- Envie mensagens de boas festas usando e abusando das novas tecnologias, pois assim poupa em papel e diminui os impactes dos transportes. Caso seja um fervoroso coleccionador de cartões de boas festas, seja solidário e envie postais de associações cujas receitas revertam a favor dos refugiados ambientais;
- Se aprecia realmente o bacalhau na ceia de Natal, opte pelo de média/grande dimensão e consuma-o com moderação, dado o perigo de extinção comercial da espécie em algumas zonas do mundo;
- Nos brinquedos que necessitam de pilhas, utilize as recarregáveis pois são uma alternativa mais económica e ecológica. Não se esqueça, o sítio das pilhas é no pilhão!- Nas limpezas que antecedem e procedem o convívio familiar, prefira os produtos de limpeza biodegradáveis e/ou recargas;
- Guarde os laços, os papéis de embrulho e as caixas de prendas, podem ser sempre reutilizáveis em outras situações;
- Seja original e no final da troca de prendas, promova um jogo ecológico de separação de embalagens – papel/cartão, plástico e metal. Ganha quem colocar as embalagens mais rapidamente no ecoponto mais perto!
Termino desejando votos de feliz natal e de um próspero ano novo a todos os leitores do Fonte Verde. E já sabe, no próximo ano estarei por aqui com mais…

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sexta-feira, novembro 30, 2007

INQUÉRITO AOS MUNICÍPIOS

Encontra-se na recta final o trabalho de investigação que estou a fazer, com vista à elaboração de uma dissertação de mestrado intitulada "Práticas de Gestão Ambiental na Administração Local", razão pela qual nem sempre me tem sido possível cumprir a periodicidade quinzenal do Fonte Verde.

As práticas de gestão ambiental e de sustentabilidade são meios através dos quais as organizações podem melhorar o seu desempenho. Um comportamento eco-eficiente, ao optimizar o uso dos recursos e evitar os desperdícios, permite poupanças significativas. Para além disso, um bom desempenho ambiental evita custos resultantes da aplicação dos princípios do poluidor-pagador.
A introdução destas práticas no processo de gestão global é hoje uma realidade nas empresas. No entanto, e como a maioria das acções a nível local passam pelas autarquias, convém que também estas introduzam práticas ambientais na sua gestão.
Assim, o objectivo principal deste trabalho é identificar o perfil ambiental da Administração Pública Local.
Para conseguir tal objectivo a metodologia utilizada englobou uma revisão de literatura, a qual ainda decorre, de modo a saber o que já foi feito em Portugal e também no estrangeiro.
Foi desenvolvido um inquérito por questionário, o qual após ser testado foi remetido a todas as autarquias do país (continente e ilhas), via e-mail, de forma a poder diagnosticar as práticas de gestão ambiental nesse sector, como por exemplo se têm implementado um sistema de gestão ambiental, se têm um gestor do ambiente, se efectuam monitorização ambiental, se estão já a implementar a Agenda 21 Local, se possuem um sistema de desempenho ambiental, entre outros, conduzindo assim à identificação de um perfil nacional.
Posteriormente proceder-se-á à análise e tratamento dos resultados obtidos. Na fase seguinte será elaborada a redacção da dissertação final, a qual se espera que traduza a realidade nacional, em relação às práticas de gestão ambiental.
Para além da identificação do perfil nacional, pretende-se ainda que o trabalho elaborado possa servir de base às inúmeras autarquias, transmitindo quais as vantagens de recorrer a práticas de gestão ambiental, de forma a aumentar o desempenho das organizações.

Termina hoje o prazo para a devolução dos questionários preenchidos por parte dos municípios e não posso esconder algum desânimo pelo número de respostas obtidas (cerca de 60 respostas num total de 308 municípios). O que me deixa mais triste ainda é o facto de ter obtido apenas uma resposta, dos municípios do distrito de Portalegre. Isto mostra claramente a apatia dos municípios portugueses.
Ainda assim, o trabalho vai ser feito e prometo divulgar, aqui neste espaço e em primeira-mão, as principais conclusões para todos os interessados.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

EMPRESAS EM RISCO

Segundo noticia publica durante esta semana no Portal Ambienteonline, das 623 instalações abrangidas pela Directiva de Prevenção e Controlo Integrado da Poluição, 82 podem ser encerradas a qualquer momento por falta de licenciamento ambiental. Isto caso a tutela cumpra a legislação nacional, que estipula que estas licenças deveriam ser obtidas até ao passado dia 30 de Outubro.
Os sectores da cerâmica e da suinicultura/agropecuária são os que mais dificuldades têm registado na implantação das medidas necessárias à obtenção da licença ambiental, garantiu ao AmbienteOnline António Gonçalves Henriques, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade responsável pelo processo de licenciamento.
Hélder Duarte, secretário-geral da Associação Portuguesa de Suinicultores (APS), embora não falando em nome da associação, aponta como entraves “as dificuldades financeiras e os elevados custos. Por exemplo, entre uma suinicultura e uma petroquímica a diferença nos custos para a obtenção da licença é mínima, o que não é compreensível. Há aqui um desfasamento”.

Até à data referida apenas 130 unidades apresentam a licença. 119 instalações entregaram os elementos necessários ao processo de licenciamento dentro do prazo, contudo, a tutela não conseguiu emitir a licença por acumulação de processos nos últimos meses. Assim, adianta o Ministério do Ambiente, «as licenças serão emitidas até 31 de Dezembro, com efeitos a 30 de Outubro, se os pedidos estiverem em condições de ser deferidos».
Existem ainda 211 instalações que entregaram todos os elementos (em apenas dois dias), apesar de este ter sido já efectuado fora do prazo estipulado. Para estes casos, a tutela decidiu prolongar o processo de licenciamento até Março de 2008, se os pedidos estiverem em condições de serem deferidos.
Cerca de 163 processos estão, entretanto, suspensos por não terem sido apresentados todos os elementos pedidos pela tutela. Além das instalações que não iniciaram o seu pedido de licenciamento, outras poderão ser objecto de contra-ordenações e sanções acessórias, nomeadamente, as que não tenham deferimento dos pedidos de licenciamento, ou porque não entregaram os elementos adicionais indispensáveis à avaliação das condições de operação conducentes à atribuição da licença, ou porque não cumprem as condições exigíveis na legislação ambiental. Entre as sanções a aplicar encontra-se ainda a perda, a favor do Estado, de máquinas e de utensílios utilizados ou a suspensão do exercício de actividades cujo exercício dependa de título público ou de autorização ou homologação de autoridade pública.
A legislação foi publicada em Agosto de 2000, altura em que ficou conhecida a lista de todas as instalações nacionais abrangidas e os requisitos necessários ao licenciamento. O licenciamento é obtido mediante o cumprimento de parâmetros ambientais definidos para cada um dos sectores industriais envolvidos, sendo que o seu cumprimento está decorrente da implantação das chamadas Melhores Técnicas Disponíveis (MTD).

Apesar do prazo ter terminado a 30 de Outubro, a APA ainda poderá aceitar os pedidos referentes ao licenciamento ambiental e tal como refere Gonçalves Henriques “É sempre melhor legalizar do que estar à margem da lei. Mas as empresas que não entregaram os seus pedidos dentro do prazo estão sujeitas à actuação da inspecção”.

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segunda-feira, novembro 05, 2007

PESTICIDAS - NOVA LEGISLAÇÃO

O Decreto-lei nº 173/2005, de 21 de Outubro, sobre a comercialização e utilização de produtos fitofarmacêuticos, passou a aplicar-se plenamente aos circuitos comerciais desde o passado dia 26 de Outubro de 2007. Este diploma fixa as principais condições para o exercício das actividades de distribuição e de venda de produtos fitofarmacêuticos, que são:
- Existência de instalações seguras e exclusivas para o armazenamento e venda de produtos fitofarmacêuticos;
- Técnico responsável acreditado com base em habilitação académica superior apropriada e formação ou experiência profissional específica;
- Operadores com formação ou experiência profissional, específica e comprovada, para o desempenho, com segurança e responsabilidade, de tarefas que lhes sejam atribuídas no armazenamento, manuseamento, aconselhamento e venda de produtos fitofarmacêuticos;- Autorização, pela autoridade competente, do exercício das actividades de distribuição e venda, após a avaliação de um dossier técnico que comprove a satisfação dos requisitos anteriores.
O Decreto-lei refere ainda que, até Dezembro de 2010, os agricultores e restantes aplicadores de produtos fitofarmacêuticos devem dispor de certificado de frequência de acção de sensibilização e de frequência com aproveitamento da acção de formação, ambas sobre a aplicação de produtos fitofarmacêuticos, reconhecidas pela Direcção Regional de Agricultura da área de realização da acção de formação.

Muitos são aqueles que aplicam pesticidas, produtos que têm quase sempre riscos associados. No entanto nem todos conhecem esses mesmos riscos e por essa razão colocam em perigo pessoas e animais, através da aplicação dos produtos. Espera-se que as autoridades competentes se empenhem decisivamente em fazer cumprir a lei para bem da nossa saúde e do ambiente.
Após a autorização para a colocação dos pesticidas no mercado, estes entram nos circuitos comerciais cujo controlo pelas autoridades é, na actualidade, extremamente deficiente, em parte por falta de enquadramento legal. A sua utilização na agricultura também não é suficientemente controlada não estando a generalidade dos agricultores ainda aptos a aplicá-los, de forma segura, nas culturas.
Dado que este Decreto-lei estabelece um quadro legal inovador que pode contribuir muito significativamente para a redução do risco para a saúde humana e para o ambiente no nosso País, a Quercus congratula-se pela sua entrada em vigor ao mesmo tempo que chama a atenção das autoridades competentes, nomeadamente àquelas a quem estão cometidas as funções de inspecção e fiscalização, para a necessidade de intensificar a sua actuação, a fim de fazer cumprir a lei.
É urgente pôr termo à venda de produtos ilegais assim como fazer cessar a actividade de estabelecimentos que não satisfazem as mais elementares condições de segurança. A Quercus, como organização que pugna pela defesa do ambiente, está a dedicar particular atenção a este tema, reservando-se ao direito de questionar o Governo sempre que tal se justifique.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado –www.quercus.pt – Página da Quercus - Associação Nacional de Conservação de Natureza

segunda-feira, outubro 22, 2007

NOBEL DA PAZ

Foi no passado dia 12 de Outubro que se conheceu o Prémio Nobel da Paz 2007. Desta feita o prémio foi dividido entre o antigo vice-presidente dos Estados Unidos da América, Al Gore, e o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa).
O Comité norueguês justificou a atribuição do prémio “pelos esforços de recolha e difusão de conhecimentos sobre as mudanças climáticas provocadas pelo homem e por terem lançado os fundamentos para a adopção de medidas necessárias para a luta contra estas alterações”.
Al Gore, de 59 anos, que fez das alterações climáticas a sua imagem de marca desde que saiu da Casa Branca, venceu este ano o Óscar de Melhor Documentário pelo seu filme ambientalista "Uma Verdade Inconveniente".
Já num artigo anterior “Live Earth – O Balanço” me referi a Al Gore como alguém que estava no bom caminho, após a má imagem deixada enquanto vice-presidente dos americanos. Este prémio que agora recebe vem reconhecer todo o trabalho que tem feito nos últimos tempos, sempre com o objectivo de despertar as mentes mais distraídas para o problema das alterações climáticas.
Na véspera de receber o prémio foi noticiado que um juiz de um tribunal de última instância britânico identificou «nove erros científicos» no filme «Uma Verdade Inconveniente», pelo facto de haver situações que não estavam provadas cientificamente. O juiz Burton estava a analisar se o documentário sobre as alterações climáticas realizado por Al Gore – que sustenta a tese da acção humana como causa do aquecimento global – poderia ser exibido nas salas de aula. A sentença considerou o filme tendencioso, mas permitiu a sua exibição sob condição de que os professores apontem os excertos polémicos e apresentem os argumentos contrários às informações.

Quanto ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, é um grupo científico criado pelas Nações Unidas em 1988 que tem como objectivo monitorizar as alterações climáticas e analisar o conhecimento científico sobre o assunto. Em Fevereiro deste ano, o IPCC divulgou um relatório em que confirmou a extensão do aquecimento terrestre em curso e o grau de responsabilidade humana neste fenómeno.

Conforme noticiado pelo Jornal Público, esta distinção de Al Gore e do IPCC, entre 181 candidatos, é um forte recado à comunidade internacional, a poucas semanas da conferência de Bali, entre 3 e 14 de Dezembro, que deverá traçar um roteiro para novos compromissos na redução das emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera até 2012, depois do fim da primeira fase do Protocolo de Quioto.
A cerimónia de entrega realiza-se em Oslo, a 10 de Dezembro, data do aniversário da morte do fundador do prémio, o filantropo sueco Alfred Nobel, que inventou a dinamite. O Prémio Nobel consiste num diploma, numa medalha de ouro e num cheque no valor de dez milhões de coroas suecas (1,08 milhões de euros).

Na passada semana, e após se terem conhecido os vencedores deste prémio, ouvi na rádio Antena3, um comentário bastante interessante relativamente a este assunto. O locutor daquela estação (do qual não me recordo o nome) referiu que gostava de ver Al Gore candidatar-se à presidência dos Estados Unidos da América, como tem sido inúmeras vezes falado, e que vencesse. Como seria o seu comportamento após a vitória? Será que continuava tão amigo do ambiente como até aqui? O que iria mudar tendo em consideração que os Estados Unidos são actualmente um dos países que mais dióxido de carbono lançam para a atmosfera e, apesar disso, ainda não ratificaram o Protocolo de Quioto? Pois é, talvez tudo mudasse. Ou talvez não… E aí o que faria o Comité que atribui o Nobel? Se calhar retirava o prémio tal como foram retiradas as medalhas, por doping, à atleta americana Marion Jones, conquistadas nos jogos olímpicos de Sydney, em 2000!
Não posso estar mais de acordo com o locutor. Como seria?

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://nobelprize.org/ - Página oficial da Fundação Nobel

segunda-feira, outubro 01, 2007

PORTUGAL SUPERA QUIOTO?

O primeiro-ministro José Sócrates afirmou na Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, realizada no passado dia 24 de Setembro na Sede da ONU em Nova Iorque, que Portugal superará em 2012 as metas de limitação da poluição ambiental previstas no Protocolo de Quioto. Na perspectiva de Sócrates, em matérias como as energias renováveis, "Portugal está na linha da frente da Europa, tendo já 39 por cento da sua energia eléctrica com base renovável".
Para além disso considerou que os Estados Unidos estão a evoluir em matéria de combate às alterações climáticas. Em declarações à Agência Lusa, Sócrates manifestou-se optimista em relação ao comportamento da administração de Washington. "A resistência norte-americana a qualquer compromisso sobre metas ambientais já foi maior. Os Estados Unidos encontram-se em evolução, precisamente porque há uma liderança da UE neste domínio". Na perspectiva de Sócrates, a administração de Washington e as autoridades de muitos dos estados norte-americanos "estão progressivamente interessados em responder ao problema do aquecimento global". "Não é possível um compromisso global sobre o maior problema que se coloca à humanidade com os Estados Unidos de fora. Nos próximos tempos, haverá certamente uma grande cooperação entre a UE e muitos dos governadores dos estados norte-americanos neste domínio".
O processo da ONU face às alterações climáticas é o fórum pertinente para negociar qualquer acção futura de alcance global. Nesse contexto, a Cimeira de Bali, no fim do ano vigente, constitui um marco. Espera-se que nessa altura a comunidade internacional consiga lançar um roteiro ambicioso para as negociações com vista a um acordo global e abrangente relativo às alterações climáticas.
O primeiro-ministro afirmou que após várias manifestações, de cientistas e economistas, sobre as questões das alterações climáticas, cabe agora aos políticos agir.
Para terminar a sua intervenção refere que “se caminharmos, gradualmente, para uma economia isenta de carbono, se apostarmos em tecnologias, novas e limpas, se fomentarmos as energias renováveis, então será possível superar o desafio das alterações climáticas e, ainda, alcançar o desenvolvimento económico, fazendo-o de forma sustentável. Não creio que seja um sonho, trata-se antes de algo que está nas nossas mãos.”
Após a análise do discurso, vejo um primeiro-ministro muito optimista em relação ao futuro. Talvez não seja um sonho e se trate apenas de algo que está nas nossas mãos. O que acontece é que por vezes deixamos fugir as coisas por entre os dedos…

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domingo, setembro 16, 2007

SEMANA EUROPEIA DA MOBILIDADE 2007

Anualmente de 16 a 22 de Setembro, os cidadãos europeus têm a oportunidade de gozar uma semana inteira de actividades dedicadas à mobilidade sustentável, com o objectivo de se facilitar um debate alargado sobre a necessidade da mudança de comportamentos relativamente à mobilidade, em particular no que toca à utilização do automóvel particular.
A Campanha Nacional partilha os objectivos Europeus para a recuperação da qualidade ambiental das cidades do Velho Continente.
O tema deste ano é “Melhores ruas para as pessoas”. Subjacente ao tema está a mensagem clara de que, aumentar o espaço viário para os automóveis, não é resposta aos problemas de transporte existentes. Reduzi-lo pode, pelo contrário, ser uma solução sustentável e eficaz, além de possibilitar estilos de vida mais saudáveis sem limitar a mobilidade pessoal. E porquê a escolha deste tema? Na Europa, de acordo com as sondagens de opinião efectuadas durante a Semana Europeia da Mobilidade, a maioria dos cidadãos quer promover modos de transporte mais amigos do ambiente e são muitos os que estão preocupados com a qualidade do ar que respiram e põem a poluição atmosférica no topo da sua lista de prioridades ambientais. A maioria é também favorável a que se consagre mais espaço a corredores verdes e a zonas pedonais, em detrimento de ruas para automóveis, a fim de se reconstruir um sentido comum de vizinhança e de comunidade local, resolvendo-se por outro lado os problemas da qualidade do ar e da poluição sonora.
Em Portugal, de acordo com o inquérito à opinião pública realizado durante a SEM 2006 (a um universo de cerca de 1000 inquiridos), 62% das pessoas gostaria de ver a zona sem tráfego automóvel aumentada em futuras edições da campanha; por outro lado, 90% dos inquiridos concordaram em que, para se reduzir o tráfego urbano e a poluição, se deve limitar a utilização do carro.

Tal como no ano passado, o Município de Portalegre associou-se a esta iniciativa, com várias actividades a realizar em parceria com algumas entidades do Distrito (ver programa próprio). A semana culmina com o Dia Europeu sem Carros, dia 22 de Setembro, no qual a Rua Luís de Camões e Largo Dr. Frederico Laranjo estarão cortados ao trânsito automóvel.
O sucesso desta campanha depende, acima de tudo, da participação da população, uma vez que de nada vale existirem actividades se essa participação não existir. Portanto, apareça junto ao Jardim da Avenida da Liberdade, entre os dias 16 e 22 de Setembro, traga a família e divirta-se!

Para terminar, gostava aqui de deixar os meus parabéns a uma menina que completa hoje 101 anos (sim leram bem, cento e um anos). Parabéns Mariana!

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.iambiente.pt/ – Página da Agência Portuguesa do Ambiente

segunda-feira, setembro 03, 2007

ECO-TERRORISMO

Depois de um interregno para férias, a Fonte Verde está de volta com mais “assuntos verdes” para os habituais leitores. À semelhança de todo o Verão, o mês de Agosto foi bastante atípico, com chuva, vento, algum sol e até granizo do tamanho de ovos…
Apesar de ser um mês tipicamente calmo, em termos ambientais foi bastante agitado, conforme se pôde constatar com a acção de destruição de um campo de milho transgénico.
Mais de 100 activistas com os rostos tapados por máscaras, do “Movimento Verde Eufémia” invadiram e destruíram o campo de milho transgénico na Herdade da Lameira, em Silves, alegando querer repor a ordem ecológica.
Os organismos geneticamente modificados (OGM) são organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer características desejáveis pelo homem. Possuem alterações em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do DNA recombinante ou Engenharia Genética.

Apesar de não ser a favor dos OGM, não podia deixar de mostrar a minha discordância pela forma utilizada pelo movimento para se manifestar. Tal como referiu Macário Correia, presidente da Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL), “O direito à manifestação não significa direito à destruição e ao vandalismo”.
Refira-se que o proprietário do terreno em causa, João Menezes, agricultor de 56 anos, tinha tudo legalizado, tendo a seara sido vistoriada pela Direcção-Geral de Protecção de Culturas do Ministério da Agricultura. Por mais esta razão, os activistas deveriam mostrar a sua indignação perante o governo, por exemplo, e não perante aqueles que ganham a vida com lealdade.
O engenheiro técnico responsável pela cultura de milho, Luís Grifo, referiu que Portugal “produz milho apenas para três meses por ano”, assegurando que no resto do ano o milho é importado e 90 por cento é transgénico.

Quanto a mim o acontecimento teve apenas um aspecto positivo: alertar para o problema dos OGM. No entanto condeno veementemente a forma utilizada para veicular a mensagem.
Nesta iniciativa vi alguns ex-colegas meus da faculdade, o que me deixou um pouco triste uma vez que não me identifico com as suas atitudes. Mostraram claramente qual a diferença entre um ambientalista e um Engenheiro do Ambiente. Realço mais uma vez que sou contra os OGM. Defendo a causa ambiental, mas para tal não é necessário agredir terceiros.
Espero que esta atitude de Eco-Terrorismo não se repita porque não abona nada a favor do ambiente, pelo contrário, envergonha os defensores da causa como eu.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

segunda-feira, julho 30, 2007

FÉRIAS FELIZES, ANIMAIS FELIZES

Numa altura em que o país quase pára devido às férias de verão, nunca é demais relembrar as pessoas de que nesta altura não devemos esquecer os animais que nos fazem companhia no resto do ano.
Infelizmente, todos os anos são abandonados animais, essencialmente no período de férias. Coloca-se muitas vezes a questão: Onde deixar os animais durante este tempo? O ideal será levá-los connosco porque os animais são bons companheiros em todas as situações e as férias serão certamente mais agradáveis e divertidas para todos.
A pensar nisto, a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal criou uma página na Internet (ver sitio recomendado) na qual indicam algumas opções que lhe permitirão ter umas férias mais tranquilas. Tudo depende das férias que pretende ter.

Se escolheu levar o seu animal para umas férias em contacto com a Natureza, cumpra as seguintes regras:
-Mantenha o seu animal dentro do espaço que lhe está reservado.
-Não o deixe andar solto pelo parque.
-Passeie com ele várias vezes ao dia mas com trela.
-À noite deve ficar dentro da tenda para não ladrar.
-Mantenha o local onde o animal se encontra em boas condições de higiene.
-Coloque a comida dentro de recipiente próprio só durante o tempo necessário para ele comer. Depois retire-a, para evitar as moscas.
-Verifique se ele tem sempre água fresca e renove-a frequentemente.
Poderá obter a listagem de parques de campismo que aceitam animais na página da campanha.

Se nas suas férias for para um hotel, atenção aos seguintes aspectos:
-Antes de viajar certifique-se que o hotel aceita animais.
-Informe-se sobre quais as condições exigidas.
-Se o animal for de grande porte informe-se se tem box disponível e faça a reserva atempadamente.

Se pretender deixar o seu animal em Canis-Hotel:
-Informe-se de quais as condições para que aceitem o seu animal.
-Antes, certifique-se que o local reúne as condições de bem-estar e tem apoio veterinário. Não deixe o seu animal sem verificar as condições pessoalmente.

Há ainda a hipótese de haver amigos ou vizinhos que estejam disponíveis para cuidar do nosso animal de estimação. Relembro que os canis municipais não funcionam como Canil-Hotel, pelo que não podem receber os nossos animais em tempo de férias.

Para além disso deverá ter em consideração os seguintes cuidados:
-Certifique-se que o seu animal tem as vacinas em dia.
-A vacina contra a raiva é obrigatória a partir dos 4 meses de idade.
-Não se esqueça de o desparasitar.
-Proteja-o contra os mosquitos e as carraças aplicando-lhe o produto recomendado pelo veterinário.
-Os gatos também devem ser vacinados.
-Consulte o seu veterinário.
-A identificação (micro-chip) é obrigatória desde 1 de Julho de 2004 para todos os animais de grande porte, que possam ter características agressivas, bem como o registo e o seguro de responsabilidade civil.
-Todos os animais de companhia (cães e gatos) terão de estar obrigatoriamente identificados e registados.
-Mesmo que o seu animal já tenha micro-chip, se vai de férias, deve colocar na coleira uma chapa de identificação com o número de telefone.

Resta-me desejar umas boas férias a todos os leitores, uma vez que também eu vou de férias. Regressarei em breve com mais…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.lpda.pt/site_ferias/index.htm - página “Férias felizes, Animais felizes”

sábado, julho 14, 2007

LIVE EARTH - BALANÇO

Realizou-se no passado fim-de-semana, dia 07/07/07, o Live Earth. Passada uma semana, resolvi fazer aqui um balanço deste acontecimento à escala mundial.
Organizada pela Alliance for Climate Protection, presidida por Al Gore, a campanha contou com a participação dos músicos mais carismáticos do mundo, abraçando esta causa que visa alertar o planeta para o aquecimento global. As cidades escolhidas para as actuações foram oito: Londres, Nova Iorque, Hamburgo, Joanesburgo, Rio de Janeiro, Sydney, Tóquio e Xangai. Para além disso, houve outras cidades que se juntaram como parceiros, tal como Lisboa.
Confesso que não sou grande adepto de Al Gore, uma vez que enquanto esteve ao lado de George W. Bush, na presidência dos Estados Unidos da América, não se mostrou tão amigo do ambiente, como agora parece. No entanto, nunca é tarde para as pessoas se redimirem, pelo que com o livro e o filme/documentário “Uma Verdade Inconveniente” e agora com esta magnífica organização, considero que está no bom caminho!
Tratou-se de facto de um evento extraordinário, talvez o maior alguma vez realizado, o que se tivermos em conta a causa que defende, o Ambiente, é deveras curioso. Foram mais de cem concertos com uma audiência de dois biliões de pessoas! Não fosse nesse dia a eleição das novas sete maravilhas do mundo e não se teria certamente falado de outra coisa.
Todas as infra-estruturas onde decorrem os concertos do Live Earth foram construídas por uma equipa de engenheiros que tiveram em linha de conta o contexto natural dos locais e a gestão de energia. Esta equipa do US Green Building Council tentou assim conseguir o menor impacto ambiental e o menor gasto energético possível.
O campanha SOS que está por trás do movimento Live Earth, pretende encorajar os indivíduos a alterarem os seus comportamentos de consumo, assim como apelar às organizações e aos decisores políticos, para que combatam as alterações climáticas.

Gostava apenas de, em jeito de desabafo mostrar a minha desconfiança em relação aos resultados práticos de tamanha organização. Por outras palavras, será que ainda alguém se lembra de qual era o objectivo desta acção? Ou será que apenas se lembram de como ia vestida a Madonna ou como cantou o Lenny Krevitz?
Com isto não quero dizer que estou contra a organização destes eventos, antes pelo contrário. È bom ver que há outras pessoas a defender a causa que também eu defendo neste espaço e no dia-a-dia. Contudo, se fizermos uma correcta avaliação, certamente que vai deixar muito a desejar.
Ainda assim, o apelo está lançado. Imaginem que há um Live Earth todos os dias e pensem naqueles que vão ainda nascer e não têm de pagar a nossa pesada factura.

SOS ASKS ALL PEOPLE TO ANSWER THE CALL!

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.liveearth.org/ – Página oficial do evento

segunda-feira, julho 02, 2007

CERTIFICAÇÃO ENERGÉTICA DE EDIFÍCIOS

É já a partir do dia 01 de Julho que os pedidos de licenciamento dos edifícios com mais de mil metros quadrados têm de ser obrigatoriamente acompanhados por um certificado de eficiência energética.
A legislação abrange todos os edifícios residenciais e de serviços a construir e tem como principal objectivo diminuir os excessos de consumo. A Sociedade Portuguesa de Certificação Energética sublinha ainda que, para além da diminuição do consumo energético, existe uma preocupação ambiental, na medida em que, cada português gasta em média um barril de petróleo por mês e emite cerca de três toneladas de dióxido de carbono.
João Farinha Mendes, director da Unidade de Energia Solar e Térmica de Edifícios, do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) refere que esta certificação poderá implicar que, numa primeira fase, os consumidores paguem mais mas “a tendência será para nivelar os edifícios pelas classes energéticas mais altas”. Para além disso, o investimento será recuperado a médio prazo, uma vez que o menor consumo de energia vai levar a que haja uma diminuição dos custos.
Refira-se que com a entrada em vigor da nova legislação, haverá uma melhoria na construção, o que pode abrir uma janela para as empresas nacionais, já que as obriga a usar soluções de melhor qualidade. Veja-se o caso da empresa Vulcano, fabricante de equipamentos para produção de água quente, que investiu 12 milhões de euros numa fábrica, em Aveiro, que terá capacidade para fabricar 150 mil painéis por ano, sendo a maior parte da produção para exportação.

No entanto, e tal como já referi aqui em artigos anteriores relacionados com esta matéria, um potencial bloqueio ao desenvolvimento do mercado prende-se com o facto de não haver ao nível da habitação incentivos suficientes para cativar as pessoas e levá-las a optarem, por exemplo, por painéis solares.

A partir do ano 2009, esta exigência vai ser alargada às casas antigas, construídas antes da nova legislação. Desta forma, quem comprar ou arrendar estes imóveis ficará a saber os seus valores de consumo de energia.

Por cá também temos já algumas empresas que comercializam produtos baseados em energias renováveis, como por exemplo a Alenenergy, situada na Zona Industrial de Portalegre, que também já foi alvo de destaque nesta secção.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.ambienteonline.pt/ – Portal sobre temática ambiental

segunda-feira, junho 18, 2007

AEROPORTO DE "ALCOCHOTA"

Está tudo em brasa! No dia em que se esperava que o Ministro das Obras Públicas anunciasse o concurso público para a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa, Mário Lino (sim, o tal do Deserto!) surpreendeu a Assembleia da República com uma novidade: a decisão de avançar para a Ota foi suspensa por seis meses. Durante este tempo uma comissão técnica coordenada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) irá proceder à avaliação comparativa de duas localizações: Ota e Alcochete. Será que de um momento para o outro, a margem sul deixou de ser um deserto?!

No passado fim-de-semana, foi entregue ao Governo um estudo levado a cabo por vários professores do Instituto Superior Técnico e “encomendado” pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). O estudo apresentado não aponta uma estimativa de custos para a construção de um novo aeroporto na zona de Alcochete, mas, segundo tornou público Francisco Van Zeller, a optar-se por esta localização poder-se-á atingir uma poupança de, pelo menos, três mil milhões de euros, relativamente à Ota. De acordo com Van Zeller, a opção Alcochete além de estar localizada em terrenos do Estado, apresenta outras vantagens como o facto de se tratar de uma zona plana, com infra-estruturas, evitando gastos com acessibilidades ferroviárias, nomeadamente os custos da ponte Chelas/Barreiro e do aterro que terá de ser construído na Ota.
O documento recomenda o estudo do Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota. Esta última opção ganhou forma em 1997, quando o Governo deu sinal verde para a construção da infra-estrutura na freguesia de Alenquer. Até então tinham sido analisados 15 possíveis locais, entre os quais alguns na margem sul do Tejo. Rio Frio foi a última possibilidade, a sul, a ser considerada. Mas a Ota acabaria por ganhar o duelo, alegadamente devido aos menores impactes ambientais.

No entanto, muitas têm sido as críticas que esta opção tem levantado nos últimos tempos. Paulino Pereira, engenheiro especialista em urbanismo e transportes, refere que, “em termos de engenharia a Ota é uma má opção, mas é possível fazê-lo”. José Lopes, engenheiro de aeroportos, diz que “a Ota obriga a grandes obras de hidráulica, que são muito morosas. Serão necessários pelo menos dois anos só para estes trabalhos”.
Até agora foi elaborado o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das possíveis localizações, Ota e Rio Frio. Em curso está o EIA do projecto de construção de um aeroporto internacional na Ota, pelo que ainda não são conhecidas as implicações do projecto no ambiente. No entanto, a introdução de novas hipóteses de localização veio dar um passo atrás no andamento do processo.

Em comunicado, a associação ambientalista Quercus considera que embora a possibilidade de localizar o novo aeroporto em Alcochete possa e deva ser avaliada é, à partida, uma opção muito condicionada por factores ambientais, nomeadamente a sua proximidade à Reserva Natural do Estuário do Tejo. Assim, a Quercus espera que o Governo pondere de forma responsável as várias opções que estão sobre a mesa para que a decisão final seja participada e, tanto quanto possível, consensual para a sociedade portuguesa.

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil tem agora seis meses para elaborar um estudo comparativo entre Alcochete e a Ota, após a concessão por parte do Governo que há cerca de dez anos assumia a Ota como a futura localização do novo aeroporto internacional.
Veremos se passados os seis meses não vai aparecer um outro grupo de “misteriosos” empresários com um novo estudo que diga que afinal, nem Alcochete nem Ota são boas hipóteses.
Concordo que um projecto deste nível tenha de ser largamente debatido e estudado, no entanto tudo isto me parece já uma palhaçada que é afinal, financiada por todos nós.
Nós por cá vamos fazendo as nossas apostas. Escolha o nome e a localização da nova maravilha de Portugal. Enfim…

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domingo, junho 03, 2007

DIA MUNDIAL AMBIENTE

Comemora-se na próxima terça-feira, dia 05 de Junho o Dia Mundial do Ambiente. As cerimónias oficiais desta efeméride terão lugar em Tromso, na Noruega, segundo comunicou o Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Tendo como slogan "Melting ice – a Hot Topic", as comemorações mundiais incidirão sobre o efeito das alterações climáticas que se prevê serão maiores nos pólos levando ao degelo.
Visto que 2007 é o Ano Internacional Polar, realizar-se-ão em várias cidades norueguesas iniciativas para alertar as populações acerca dos perigos das alterações climáticas para a vida das pessoas e para a biodiversidade, nomeadamente nas regiões polares.Com o aumento da temperatura nos pólos, o degelo tem sido significativo e animais como por exemplo os ursos polares têm sido encontrados mortos devido ao facto de não encontrarem massas de gelo e terem de nadar grandes distâncias.Apesar de as cerimónias incidirem sobre os pólos, as alterações climáticas far-se-ão sentir em todo o mundo e o degelo das calotes polares, para além de poderem fazer subir o nível do mar, podem ter outros efeitos a nível climático afectando zonas muito distantes.
Para mostrar essas alterações poderá visionar o filme disponível na Internet em http://www.green.tv/pole_to_pole/ e, se é educador, discuta-o com os seus educandos, pois, sendo a Terra finita e a atmosfera global, somos todos “conTerrâneos” e o que sucede num local, mesmo que distante, tem consequências por vezes a milhares de quilómetros.
Deste modo, as alterações climáticas são um problema que diz respeito a todos, até porque todos somos responsáveis pelos gases com efeito de estufa que são libertados diariamente do escape dos nossos automóveis, da chaminé das centrais que produzem a energia, entre outros.
Em Portugal, foi criado o Fórum Pós-Quioto que pretende ser um espaço de divulgação e participação da sociedade civil neste assunto tão premente que é a luta contra as alterações climáticas. Consulte http://www.forum-posquioto.org/

Por cá, aproveito para fazer referência à iniciativa que vai ser levada a cabo pela Junta de Freguesia de Alegrete, na qual estarei presente, que irá consistir num dia cheio de actividades para as crianças do 1.º ciclo e do pré-escolar daquela freguesia. Do programa consta uma palestra alusiva à importância da árvore e da floresta e no final os alunos poderão plantar algumas árvores.
Está de parabéns a Junta de Freguesia de Alegrete por esta magnifica iniciativa, não esquecendo este dia mundial do ambiente.

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