domingo, setembro 16, 2007

SEMANA EUROPEIA DA MOBILIDADE 2007

Anualmente de 16 a 22 de Setembro, os cidadãos europeus têm a oportunidade de gozar uma semana inteira de actividades dedicadas à mobilidade sustentável, com o objectivo de se facilitar um debate alargado sobre a necessidade da mudança de comportamentos relativamente à mobilidade, em particular no que toca à utilização do automóvel particular.
A Campanha Nacional partilha os objectivos Europeus para a recuperação da qualidade ambiental das cidades do Velho Continente.
O tema deste ano é “Melhores ruas para as pessoas”. Subjacente ao tema está a mensagem clara de que, aumentar o espaço viário para os automóveis, não é resposta aos problemas de transporte existentes. Reduzi-lo pode, pelo contrário, ser uma solução sustentável e eficaz, além de possibilitar estilos de vida mais saudáveis sem limitar a mobilidade pessoal. E porquê a escolha deste tema? Na Europa, de acordo com as sondagens de opinião efectuadas durante a Semana Europeia da Mobilidade, a maioria dos cidadãos quer promover modos de transporte mais amigos do ambiente e são muitos os que estão preocupados com a qualidade do ar que respiram e põem a poluição atmosférica no topo da sua lista de prioridades ambientais. A maioria é também favorável a que se consagre mais espaço a corredores verdes e a zonas pedonais, em detrimento de ruas para automóveis, a fim de se reconstruir um sentido comum de vizinhança e de comunidade local, resolvendo-se por outro lado os problemas da qualidade do ar e da poluição sonora.
Em Portugal, de acordo com o inquérito à opinião pública realizado durante a SEM 2006 (a um universo de cerca de 1000 inquiridos), 62% das pessoas gostaria de ver a zona sem tráfego automóvel aumentada em futuras edições da campanha; por outro lado, 90% dos inquiridos concordaram em que, para se reduzir o tráfego urbano e a poluição, se deve limitar a utilização do carro.

Tal como no ano passado, o Município de Portalegre associou-se a esta iniciativa, com várias actividades a realizar em parceria com algumas entidades do Distrito (ver programa próprio). A semana culmina com o Dia Europeu sem Carros, dia 22 de Setembro, no qual a Rua Luís de Camões e Largo Dr. Frederico Laranjo estarão cortados ao trânsito automóvel.
O sucesso desta campanha depende, acima de tudo, da participação da população, uma vez que de nada vale existirem actividades se essa participação não existir. Portanto, apareça junto ao Jardim da Avenida da Liberdade, entre os dias 16 e 22 de Setembro, traga a família e divirta-se!

Para terminar, gostava aqui de deixar os meus parabéns a uma menina que completa hoje 101 anos (sim leram bem, cento e um anos). Parabéns Mariana!

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.iambiente.pt/ – Página da Agência Portuguesa do Ambiente

segunda-feira, setembro 03, 2007

ECO-TERRORISMO

Depois de um interregno para férias, a Fonte Verde está de volta com mais “assuntos verdes” para os habituais leitores. À semelhança de todo o Verão, o mês de Agosto foi bastante atípico, com chuva, vento, algum sol e até granizo do tamanho de ovos…
Apesar de ser um mês tipicamente calmo, em termos ambientais foi bastante agitado, conforme se pôde constatar com a acção de destruição de um campo de milho transgénico.
Mais de 100 activistas com os rostos tapados por máscaras, do “Movimento Verde Eufémia” invadiram e destruíram o campo de milho transgénico na Herdade da Lameira, em Silves, alegando querer repor a ordem ecológica.
Os organismos geneticamente modificados (OGM) são organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer características desejáveis pelo homem. Possuem alterações em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do DNA recombinante ou Engenharia Genética.

Apesar de não ser a favor dos OGM, não podia deixar de mostrar a minha discordância pela forma utilizada pelo movimento para se manifestar. Tal como referiu Macário Correia, presidente da Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL), “O direito à manifestação não significa direito à destruição e ao vandalismo”.
Refira-se que o proprietário do terreno em causa, João Menezes, agricultor de 56 anos, tinha tudo legalizado, tendo a seara sido vistoriada pela Direcção-Geral de Protecção de Culturas do Ministério da Agricultura. Por mais esta razão, os activistas deveriam mostrar a sua indignação perante o governo, por exemplo, e não perante aqueles que ganham a vida com lealdade.
O engenheiro técnico responsável pela cultura de milho, Luís Grifo, referiu que Portugal “produz milho apenas para três meses por ano”, assegurando que no resto do ano o milho é importado e 90 por cento é transgénico.

Quanto a mim o acontecimento teve apenas um aspecto positivo: alertar para o problema dos OGM. No entanto condeno veementemente a forma utilizada para veicular a mensagem.
Nesta iniciativa vi alguns ex-colegas meus da faculdade, o que me deixou um pouco triste uma vez que não me identifico com as suas atitudes. Mostraram claramente qual a diferença entre um ambientalista e um Engenheiro do Ambiente. Realço mais uma vez que sou contra os OGM. Defendo a causa ambiental, mas para tal não é necessário agredir terceiros.
Espero que esta atitude de Eco-Terrorismo não se repita porque não abona nada a favor do ambiente, pelo contrário, envergonha os defensores da causa como eu.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

segunda-feira, julho 30, 2007

FÉRIAS FELIZES, ANIMAIS FELIZES

Numa altura em que o país quase pára devido às férias de verão, nunca é demais relembrar as pessoas de que nesta altura não devemos esquecer os animais que nos fazem companhia no resto do ano.
Infelizmente, todos os anos são abandonados animais, essencialmente no período de férias. Coloca-se muitas vezes a questão: Onde deixar os animais durante este tempo? O ideal será levá-los connosco porque os animais são bons companheiros em todas as situações e as férias serão certamente mais agradáveis e divertidas para todos.
A pensar nisto, a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal criou uma página na Internet (ver sitio recomendado) na qual indicam algumas opções que lhe permitirão ter umas férias mais tranquilas. Tudo depende das férias que pretende ter.

Se escolheu levar o seu animal para umas férias em contacto com a Natureza, cumpra as seguintes regras:
-Mantenha o seu animal dentro do espaço que lhe está reservado.
-Não o deixe andar solto pelo parque.
-Passeie com ele várias vezes ao dia mas com trela.
-À noite deve ficar dentro da tenda para não ladrar.
-Mantenha o local onde o animal se encontra em boas condições de higiene.
-Coloque a comida dentro de recipiente próprio só durante o tempo necessário para ele comer. Depois retire-a, para evitar as moscas.
-Verifique se ele tem sempre água fresca e renove-a frequentemente.
Poderá obter a listagem de parques de campismo que aceitam animais na página da campanha.

Se nas suas férias for para um hotel, atenção aos seguintes aspectos:
-Antes de viajar certifique-se que o hotel aceita animais.
-Informe-se sobre quais as condições exigidas.
-Se o animal for de grande porte informe-se se tem box disponível e faça a reserva atempadamente.

Se pretender deixar o seu animal em Canis-Hotel:
-Informe-se de quais as condições para que aceitem o seu animal.
-Antes, certifique-se que o local reúne as condições de bem-estar e tem apoio veterinário. Não deixe o seu animal sem verificar as condições pessoalmente.

Há ainda a hipótese de haver amigos ou vizinhos que estejam disponíveis para cuidar do nosso animal de estimação. Relembro que os canis municipais não funcionam como Canil-Hotel, pelo que não podem receber os nossos animais em tempo de férias.

Para além disso deverá ter em consideração os seguintes cuidados:
-Certifique-se que o seu animal tem as vacinas em dia.
-A vacina contra a raiva é obrigatória a partir dos 4 meses de idade.
-Não se esqueça de o desparasitar.
-Proteja-o contra os mosquitos e as carraças aplicando-lhe o produto recomendado pelo veterinário.
-Os gatos também devem ser vacinados.
-Consulte o seu veterinário.
-A identificação (micro-chip) é obrigatória desde 1 de Julho de 2004 para todos os animais de grande porte, que possam ter características agressivas, bem como o registo e o seguro de responsabilidade civil.
-Todos os animais de companhia (cães e gatos) terão de estar obrigatoriamente identificados e registados.
-Mesmo que o seu animal já tenha micro-chip, se vai de férias, deve colocar na coleira uma chapa de identificação com o número de telefone.

Resta-me desejar umas boas férias a todos os leitores, uma vez que também eu vou de férias. Regressarei em breve com mais…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.lpda.pt/site_ferias/index.htm - página “Férias felizes, Animais felizes”

sábado, julho 14, 2007

LIVE EARTH - BALANÇO

Realizou-se no passado fim-de-semana, dia 07/07/07, o Live Earth. Passada uma semana, resolvi fazer aqui um balanço deste acontecimento à escala mundial.
Organizada pela Alliance for Climate Protection, presidida por Al Gore, a campanha contou com a participação dos músicos mais carismáticos do mundo, abraçando esta causa que visa alertar o planeta para o aquecimento global. As cidades escolhidas para as actuações foram oito: Londres, Nova Iorque, Hamburgo, Joanesburgo, Rio de Janeiro, Sydney, Tóquio e Xangai. Para além disso, houve outras cidades que se juntaram como parceiros, tal como Lisboa.
Confesso que não sou grande adepto de Al Gore, uma vez que enquanto esteve ao lado de George W. Bush, na presidência dos Estados Unidos da América, não se mostrou tão amigo do ambiente, como agora parece. No entanto, nunca é tarde para as pessoas se redimirem, pelo que com o livro e o filme/documentário “Uma Verdade Inconveniente” e agora com esta magnífica organização, considero que está no bom caminho!
Tratou-se de facto de um evento extraordinário, talvez o maior alguma vez realizado, o que se tivermos em conta a causa que defende, o Ambiente, é deveras curioso. Foram mais de cem concertos com uma audiência de dois biliões de pessoas! Não fosse nesse dia a eleição das novas sete maravilhas do mundo e não se teria certamente falado de outra coisa.
Todas as infra-estruturas onde decorrem os concertos do Live Earth foram construídas por uma equipa de engenheiros que tiveram em linha de conta o contexto natural dos locais e a gestão de energia. Esta equipa do US Green Building Council tentou assim conseguir o menor impacto ambiental e o menor gasto energético possível.
O campanha SOS que está por trás do movimento Live Earth, pretende encorajar os indivíduos a alterarem os seus comportamentos de consumo, assim como apelar às organizações e aos decisores políticos, para que combatam as alterações climáticas.

Gostava apenas de, em jeito de desabafo mostrar a minha desconfiança em relação aos resultados práticos de tamanha organização. Por outras palavras, será que ainda alguém se lembra de qual era o objectivo desta acção? Ou será que apenas se lembram de como ia vestida a Madonna ou como cantou o Lenny Krevitz?
Com isto não quero dizer que estou contra a organização destes eventos, antes pelo contrário. È bom ver que há outras pessoas a defender a causa que também eu defendo neste espaço e no dia-a-dia. Contudo, se fizermos uma correcta avaliação, certamente que vai deixar muito a desejar.
Ainda assim, o apelo está lançado. Imaginem que há um Live Earth todos os dias e pensem naqueles que vão ainda nascer e não têm de pagar a nossa pesada factura.

SOS ASKS ALL PEOPLE TO ANSWER THE CALL!

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.liveearth.org/ – Página oficial do evento

segunda-feira, julho 02, 2007

CERTIFICAÇÃO ENERGÉTICA DE EDIFÍCIOS

É já a partir do dia 01 de Julho que os pedidos de licenciamento dos edifícios com mais de mil metros quadrados têm de ser obrigatoriamente acompanhados por um certificado de eficiência energética.
A legislação abrange todos os edifícios residenciais e de serviços a construir e tem como principal objectivo diminuir os excessos de consumo. A Sociedade Portuguesa de Certificação Energética sublinha ainda que, para além da diminuição do consumo energético, existe uma preocupação ambiental, na medida em que, cada português gasta em média um barril de petróleo por mês e emite cerca de três toneladas de dióxido de carbono.
João Farinha Mendes, director da Unidade de Energia Solar e Térmica de Edifícios, do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) refere que esta certificação poderá implicar que, numa primeira fase, os consumidores paguem mais mas “a tendência será para nivelar os edifícios pelas classes energéticas mais altas”. Para além disso, o investimento será recuperado a médio prazo, uma vez que o menor consumo de energia vai levar a que haja uma diminuição dos custos.
Refira-se que com a entrada em vigor da nova legislação, haverá uma melhoria na construção, o que pode abrir uma janela para as empresas nacionais, já que as obriga a usar soluções de melhor qualidade. Veja-se o caso da empresa Vulcano, fabricante de equipamentos para produção de água quente, que investiu 12 milhões de euros numa fábrica, em Aveiro, que terá capacidade para fabricar 150 mil painéis por ano, sendo a maior parte da produção para exportação.

No entanto, e tal como já referi aqui em artigos anteriores relacionados com esta matéria, um potencial bloqueio ao desenvolvimento do mercado prende-se com o facto de não haver ao nível da habitação incentivos suficientes para cativar as pessoas e levá-las a optarem, por exemplo, por painéis solares.

A partir do ano 2009, esta exigência vai ser alargada às casas antigas, construídas antes da nova legislação. Desta forma, quem comprar ou arrendar estes imóveis ficará a saber os seus valores de consumo de energia.

Por cá também temos já algumas empresas que comercializam produtos baseados em energias renováveis, como por exemplo a Alenenergy, situada na Zona Industrial de Portalegre, que também já foi alvo de destaque nesta secção.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.ambienteonline.pt/ – Portal sobre temática ambiental

segunda-feira, junho 18, 2007

AEROPORTO DE "ALCOCHOTA"

Está tudo em brasa! No dia em que se esperava que o Ministro das Obras Públicas anunciasse o concurso público para a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa, Mário Lino (sim, o tal do Deserto!) surpreendeu a Assembleia da República com uma novidade: a decisão de avançar para a Ota foi suspensa por seis meses. Durante este tempo uma comissão técnica coordenada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) irá proceder à avaliação comparativa de duas localizações: Ota e Alcochete. Será que de um momento para o outro, a margem sul deixou de ser um deserto?!

No passado fim-de-semana, foi entregue ao Governo um estudo levado a cabo por vários professores do Instituto Superior Técnico e “encomendado” pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). O estudo apresentado não aponta uma estimativa de custos para a construção de um novo aeroporto na zona de Alcochete, mas, segundo tornou público Francisco Van Zeller, a optar-se por esta localização poder-se-á atingir uma poupança de, pelo menos, três mil milhões de euros, relativamente à Ota. De acordo com Van Zeller, a opção Alcochete além de estar localizada em terrenos do Estado, apresenta outras vantagens como o facto de se tratar de uma zona plana, com infra-estruturas, evitando gastos com acessibilidades ferroviárias, nomeadamente os custos da ponte Chelas/Barreiro e do aterro que terá de ser construído na Ota.
O documento recomenda o estudo do Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota. Esta última opção ganhou forma em 1997, quando o Governo deu sinal verde para a construção da infra-estrutura na freguesia de Alenquer. Até então tinham sido analisados 15 possíveis locais, entre os quais alguns na margem sul do Tejo. Rio Frio foi a última possibilidade, a sul, a ser considerada. Mas a Ota acabaria por ganhar o duelo, alegadamente devido aos menores impactes ambientais.

No entanto, muitas têm sido as críticas que esta opção tem levantado nos últimos tempos. Paulino Pereira, engenheiro especialista em urbanismo e transportes, refere que, “em termos de engenharia a Ota é uma má opção, mas é possível fazê-lo”. José Lopes, engenheiro de aeroportos, diz que “a Ota obriga a grandes obras de hidráulica, que são muito morosas. Serão necessários pelo menos dois anos só para estes trabalhos”.
Até agora foi elaborado o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das possíveis localizações, Ota e Rio Frio. Em curso está o EIA do projecto de construção de um aeroporto internacional na Ota, pelo que ainda não são conhecidas as implicações do projecto no ambiente. No entanto, a introdução de novas hipóteses de localização veio dar um passo atrás no andamento do processo.

Em comunicado, a associação ambientalista Quercus considera que embora a possibilidade de localizar o novo aeroporto em Alcochete possa e deva ser avaliada é, à partida, uma opção muito condicionada por factores ambientais, nomeadamente a sua proximidade à Reserva Natural do Estuário do Tejo. Assim, a Quercus espera que o Governo pondere de forma responsável as várias opções que estão sobre a mesa para que a decisão final seja participada e, tanto quanto possível, consensual para a sociedade portuguesa.

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil tem agora seis meses para elaborar um estudo comparativo entre Alcochete e a Ota, após a concessão por parte do Governo que há cerca de dez anos assumia a Ota como a futura localização do novo aeroporto internacional.
Veremos se passados os seis meses não vai aparecer um outro grupo de “misteriosos” empresários com um novo estudo que diga que afinal, nem Alcochete nem Ota são boas hipóteses.
Concordo que um projecto deste nível tenha de ser largamente debatido e estudado, no entanto tudo isto me parece já uma palhaçada que é afinal, financiada por todos nós.
Nós por cá vamos fazendo as nossas apostas. Escolha o nome e a localização da nova maravilha de Portugal. Enfim…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Sitio recomendado – http://www.ambienteonline.pt/

domingo, junho 03, 2007

DIA MUNDIAL AMBIENTE

Comemora-se na próxima terça-feira, dia 05 de Junho o Dia Mundial do Ambiente. As cerimónias oficiais desta efeméride terão lugar em Tromso, na Noruega, segundo comunicou o Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Tendo como slogan "Melting ice – a Hot Topic", as comemorações mundiais incidirão sobre o efeito das alterações climáticas que se prevê serão maiores nos pólos levando ao degelo.
Visto que 2007 é o Ano Internacional Polar, realizar-se-ão em várias cidades norueguesas iniciativas para alertar as populações acerca dos perigos das alterações climáticas para a vida das pessoas e para a biodiversidade, nomeadamente nas regiões polares.Com o aumento da temperatura nos pólos, o degelo tem sido significativo e animais como por exemplo os ursos polares têm sido encontrados mortos devido ao facto de não encontrarem massas de gelo e terem de nadar grandes distâncias.Apesar de as cerimónias incidirem sobre os pólos, as alterações climáticas far-se-ão sentir em todo o mundo e o degelo das calotes polares, para além de poderem fazer subir o nível do mar, podem ter outros efeitos a nível climático afectando zonas muito distantes.
Para mostrar essas alterações poderá visionar o filme disponível na Internet em http://www.green.tv/pole_to_pole/ e, se é educador, discuta-o com os seus educandos, pois, sendo a Terra finita e a atmosfera global, somos todos “conTerrâneos” e o que sucede num local, mesmo que distante, tem consequências por vezes a milhares de quilómetros.
Deste modo, as alterações climáticas são um problema que diz respeito a todos, até porque todos somos responsáveis pelos gases com efeito de estufa que são libertados diariamente do escape dos nossos automóveis, da chaminé das centrais que produzem a energia, entre outros.
Em Portugal, foi criado o Fórum Pós-Quioto que pretende ser um espaço de divulgação e participação da sociedade civil neste assunto tão premente que é a luta contra as alterações climáticas. Consulte http://www.forum-posquioto.org/

Por cá, aproveito para fazer referência à iniciativa que vai ser levada a cabo pela Junta de Freguesia de Alegrete, na qual estarei presente, que irá consistir num dia cheio de actividades para as crianças do 1.º ciclo e do pré-escolar daquela freguesia. Do programa consta uma palestra alusiva à importância da árvore e da floresta e no final os alunos poderão plantar algumas árvores.
Está de parabéns a Junta de Freguesia de Alegrete por esta magnifica iniciativa, não esquecendo este dia mundial do ambiente.

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domingo, maio 20, 2007

DEFESA CONTRA INCÊNDIOS


À medida que nos aproximamos do Verão e as temperaturas aumentam, começamos inevitavelmente a pensar nos incêndios florestais.
Até ao momento, 215 dos 278 municípios do continente já entregaram ao Governo os seus Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI), de acordo com os últimos dados disponíveis do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Tal como refere o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Caldeira, estes instrumentos são importantíssimos para o combate e prevenção em território municipal, no entanto deverão sempre ser articulados com outros instrumentos de ordenamento do território já existentes.

Aquando da apresentação em Portalegre do dispositivo de combate a incêndios para o ano 2007, o Governador Civil Jaime Estorninho, referiu e com razão, que é necessário chamar a atenção dos proprietários para assumirem as suas responsabilidades. O Governador admitiu que o Estado irá assumir as suas, mas considera que "não é aceitável que aqueles que são proprietários dos bens não desenvolvam as acções mínimas necessárias para a sua protecção e salvaguarda". Esta é, quanto a mim, uma questão muito importante.
Neste ano há também um reforço dos meios aéreos, com uma base permanente em Ponte de Sôr. Considero que de futuro o combate aos incêndios terá de ser maioritariamente efectuado desta forma, devido à eficácia dos resultados.
De extrema importância é também a renovação da frota automóvel dos bombeiros, uma vez que já aconteceram alguns acidentes, dos quais resultaram vítimas mortais, devido a problemas com viaturas que têm já muitos anos de serviço.
O facto de no ano passado o número de incêndios ter diminuído não é razão para se cruzarem os braços, pelo que é necessário continuar com o trabalho que tem sido feito até ao momento por vigilantes, sapadores, bombeiros e população em geral. É imprescindível que cada um de nós se sinta responsável pelo espaço que o rodeia, evitando ao máximo situações que possam desencadear inadvertidamente um incêndio.
Espero que este ano as imagens de horror não se repitam, para bem de todos.

Para terminar, queria aproveitar este espaço para convidar todos a visitarem as festas em honra de Nossa Sr.ª da Penha, que se realizam este fim-de-semana, junto à capela, onde se poderão deliciar com as maravilhosas sardinhas assadas regadas com vinho da região. Apareçam, para que a tradição não morra!


SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

segunda-feira, abril 30, 2007

LIBERDADE AMBIENTAL


Na semana em que se comemorou o 33.º aniversário da revolução dos cravos, importa referir que foi sobretudo depois da Revolução do 25 de Abril de 1974 que a política de ambiente em Portugal se desenvolveu, mas alguns anos antes já havia sinais de que este se tornaria uma das preocupações centrais do Estado. As cheias de 1967, que provocaram a morte de 500 pessoas na região de Lisboa foram determinantes para a emergência das preocupações ambientais no País, uma vez que chamaram a atenção para os problemas do ordenamento do território. “Na altura não havia ainda uma consciência do ambiente», conforme refere ao portal Ambienteonline Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista que assumiu a primeira Secretaria de Estado do Ambiente, em 1975. Antes do 25 de Abril, apenas uma organização tinha projecção na luta pela defesa do ambiente, mas numa perspectiva de conservação da Natureza – a Liga para a Protecção da Natureza, fundada em 1948.
O primeiro organismo público dedicado a esta área foi a Comissão Nacional de Ambiente, presidida antes e depois do 25 de Abril por José Correia da Cunha. A comissão foi criada em 1971, na sequência da recepção, por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, de uma nota das Nações Unidas sobre a conferência de Estocolmo, realizada em 1972.
O ano de 1971 é também o ano da criação da primeira área protegida em Portugal, o Parque Nacional Peneda Gerês, até hoje o único Parque Nacional do País. O Serviço Nacional de Parques e Reservas surge apenas em 1975. De destacar ainda que todas as áreas protegidas, além do Gerês, são criadas depois do 25 de Abril, começando logo em 1976 com a criação das reservas naturais na Serra da Estrela e no Estuário do Tejo.
O 25 de Abril traz a Portugal a institucionalização da política de ambiente e uma nova Constituição, aprovada em 1976, que é considerada pioneira a nível mundial, ao reconhecer o direito ao ambiente e qualidade de vida como um dos direitos fundamentais do cidadão português. No seu artigo 66º, a Constituição estipula que «todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender» (esquecem sempre este dever!) e que «incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e por apelo a iniciativas populares», assegurá-lo.
«Ao dar às pessoas o acesso à comunicação, o 25 de Abril permitiu despertar consciências, também para os problemas do ambiente», observa Aristides Leitão, secretário executivo do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS). Antes desta data, a sensibilidade ambiental passava apenas por uma pequena minoria da população mais informada, considera. «Falava-se de ambiente apenas quando havia uma catástrofe ou um acidente industrial, sempre vistos como algo de terrível», conta o secretário do CNADS.
Também em termos ambientais o 25 de Abril teve a sua importância, no entanto considero que o ambiente continua a ser o “patinho feio” no processo de desenvolvimento das sociedades, sendo sempre relegado para segundo plano e falo por experiência própria…

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sábado, abril 14, 2007

VANDALISMO NOS JARDINS



Após o fim das obras do POLIS, muitos foram os espaços verdes alvo de recuperação assim como a criação de novos espaços, goste-se ou não daquilo que neles foi feito.
Terminado que estava o transtorno das obras, o lógico seria que a partir desse momento as pessoas pudessem desfrutar ao máximo esses mesmos espaços.
Com toda esta conversa, com certeza que já se está a questionar onde quero eu chegar, não? Pois continue a ler e vai facilmente perceber.
Existe na R. 1.º Maio, em Portalegre, um jardim que, quanto a mim, foi um dos locais mais bonitos criados aquando do POLIS. Recordo-me da primeira vez que o visitei e a sensação que tive foi de que não estava em Portalegre, uma vez que não reconhecia o espaço. Escondido atrás das muralhas, é um local com uma vista magnífica sobre a bonita Serra da Penha. Possui bancos que convidam ao descanso e lagos com quedas de água que nos transmitem uma tranquilidade fantástica.
No entanto, esta imagem que vos tento passar, essencialmente para aqueles que não tiveram ainda oportunidade de o visitar, está cada vez mais distorcida.
De há um tempo para cá, o jardim tem sido alvo de vários actos de vandalismo essencialmente durante a noite, uma vez que fica numa zona algo escondida sendo portanto propício a actos desse tipo.

No passado fim-de-semana (Páscoa) o jardim sofreu novamente as consequências de actos menos pensados de “gentes” (não consigo chamar-lhes pessoas!). Quando me deparei com tal situação fiquei incrédulo e se visitar o local neste momento, ficará certamente como eu fiquei. Está irreconhecível…
As cores garridas escolhidas para a pintura das paredes, estão agora a ser substituídas por graffitis sem nexo nenhum. Os bancos já quase não têm encosto, uma vez que já se encarregaram de os partir. Os candeeiros já não vão acendendo, uma vez que já fizeram o favor de retirar alguns. Os lagos têm algo semelhante com peixes, mas se virem mais perto, são apenas pedras que foram retiradas das escadas. Os holofotes, que supostamente eram “anti-vandalismo”, também já vão estando partidos. Os cabos de aço que adornam os corrimões, também vão sendo estragados, uma vez que servem de baloiço. Ou seja, tudo aquilo que compõe o jardim e que o tornava belo, está a ficar em péssimo estado.

Sem querer apontar responsabilidades a ninguém, penso que é consensual de que é urgente uma intervenção de quem de direito para alterar esta situação. As obras que foram feitas não podem correr o risco de ver os seus dias contados por culpa das “gentes” que fazem aquilo que bem lhes apetece, sem serem punidas por isso.
Penso que estava na altura de alguém pagar por todos, uma coisa em grande que fizesse lembrar às “gentes” de que a liberdade não concede direitos de vandalismo a ninguém. Tenho dito.

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segunda-feira, abril 02, 2007

EFEMÉRIDES

Comemorou-se no passado dia 21 de Março o Dia Mundial da Árvore e das Florestas e no dia 22 de Março o Dia Mundial da Água. Um pouco por todo o lado, e como é habitual, as crianças deliciaram-se ao plantar uma árvore ou a participar numa qualquer actividade alusiva à data. O município de Portalegre associou-se às comemorações tendo oferecido um “Jogo da Floresta” a cada uma das crianças do 1.º ciclo do concelho de Portalegre.
É sempre um dia diferente, até pela temática que é abordada na sala de aulas e por isso não é difícil perceber a felicidade das crianças.
Também como é habitual em anos anteriores, estas efemérides servem sempre para se fazer um balanço do estado do ambiente e como é fácil antever, as coisas não estão nada bem.
O Dia Mundial da Água foi este ano dedicado internacionalmente à escassez de água e à capacidade de enfrentar esse problema. Há já muitos que consideram a água como o ouro dos novos tempos e percebe-se porquê!
De acordo com o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos mais de 44% dos recursos hídricos superficiais monitorizados tem qualidade má ou muito má e cerca de 36% é apenas razoável. Esta situação põe em causa a utilização dos recursos hídricos e decorre das graves deficiências no tratamento de águas residuais. Apesar de se ter assistido a um notável progresso em termos de recolha e tratamento de águas residuais, existem ainda alguns municípios, interiores ou da faixa litoral, que não dispõem das infra-estruturas adequadas, nem em qualidade, nem em quantidade suficiente para recolherem e tratarem os seus efluentes domésticos e industriais, descarregando-os, em muitos casos, directamente nas linhas de água ou no oceano, sem tratamento prévio.
A qualidade da água tem vindo a piorar nos últimos anos e não precisamos recuar muito se virmos que em 2003, mais de 25% dos rios tinham boa qualidade de água e em 2004 eram mais de 35%; no entanto, em 2005, a percentagem de rios com água considerada de boa qualidade diminuiu para cerca de 19%.

Quanto às florestas, a situação também não é muito animadora. Continuam todos os anos a arder milhares de hectares de floresta e a reflorestação não consegue acompanhar tamanho desaparecimento. Ainda assim queria aproveitar para destacar o trabalho dos sapadores florestais que têm trabalhado bastante bem em prol da nossa floresta, no que à prevenção diz respeito.
Um aspecto negativo que queria também salientar diz respeito à possibilidade de construção em solos ardidos, o que antes apenas podia acontecer passados dez anos. A alteração à anterior legislação veio levantar suspeitas sobre a especulação imobiliária. O Ministro do Ambiente veio acalmar as hostes dizendo que as situações serão estudadas caso a caso, mas quanto a mim isto cheira-me a esturro…

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sábado, março 10, 2007

ALTERAÇÕES NA SEPARAÇÃO


Parece que desta é de vez. A Sociedade Ponto Verde (instituição privada sem fins lucrativos que tem por missão organizar e gerir a retoma e valorização de resíduos de embalagens, através da implementação do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), mais conhecido como "Sistema Ponto Verde".), em comunicado de 28 de Fevereiro refere que a regra de deposição das ECAL (embalagens de cartão para alimentos líquidos), vulgarmente conhecidas como pacotes/embalagens de leite e sumos, passa a ser a mesma para todo o País: o contentor amarelo do ecoponto.Até agora, existiam divergências quanto ao contentor do ecoponto onde colocar estas embalagens, já que em alguns municípios a indicação era o contentor amarelo do ecoponto (destinado aos plásticos e metais), noutros o contentor azul (destinado ao papel/cartão).
Quando em Agosto de 2005 publiquei um artigo sobre este tema, pensei que já tivesse sido finalmente definido em que contentor colocar este tipo de embalagens, mas rapidamente fui informado de que ainda não havia nada oficial. Agora e passados quase dois anos, parece que há consenso nas regras de deposição.
Esta discrepância persistiu ao longo dos anos de existência do sistema de reciclagem em que os argumentos de ambas as partes se foram mantendo válidos e não parecia possível um consenso. Ao longo deste tempo a SPV sempre assegurou e continua a assegurar que, independentemente do contentor onde as embalagens fossem colocadas (amarelo ou azul) estas serão encaminhadas para reciclagem.
Com o objectivo de uniformizar/harmonizar esta regra, e simplificar a participação do consumidor com uma indicação comum em todo o País, a Sociedade Ponto Verde, a Recipac (Fileira do Papel/Cartão) e os Sistemas Municipais e Autarquias aderentes ao Sistema Ponto Verde criaram um grupo de trabalho que após análise da situação concluiu que o contentor amarelo é o mais indicado para a deposição destas embalagens.
A Sociedade Ponto Verde manifesta a sua satisfação com o acordo agora alcançado. Segundo o Director-Geral da SPV, Luís Veiga Martins: ”Para facilitar a separação por parte dos consumidores era essencial que se acordasse numa indicação comum para a colocação dos pacotes de leite e sumos. Agora que se chegou a esse consenso, todos nos congratulamos com o resultado alcançado.” Acrescenta ainda que: “O objectivo principal da Sociedade Ponto Verde continua a ser o de alcançar as metas de reciclagem impostas para 2011. Para isso contamos com o consumidor e tentamos simplificar ao máximo a sua participação”.
Muitas das embalagens que circulam actualmente no mercado têm a indicação do contentor do ecoponto onde devem ser colocadas, resultado de uma iniciativa promovida pela Sociedade Ponto Verde. Como até agora a indicação da SPV para os pacotes de leite e sumos era a sua colocação no contentor azul do ecoponto, muitas destas embalagens têm essa indicação. O Director-Geral da SPV esclarece:” É natural que durante algum tempo seja esta a indicação que surja nas embalagens. Os embaladores precisarão de tempo para rectificar esta indicação, já que esta alteração irá implicar, não só o escoamento dos stocks já existentes (embalagem e produto final), como também a alteração dos rótulos das embalagens”. Para que esta situação seja regularizada o mais rapidamente possível, todas as empresas embaladoras aderentes da Sociedade Ponto Verde foram já contactadas no sentido de analisarem a melhor forma de alterar no mais curto espaço de tempo esta indicação.

Portanto já sabem, a partir de agora, todas estas embalagens devem ser colocadas no ecoponto amarelo. Espero que não haja mais alarido em volta de uma situação que, quanto a mim, não justifica tamanha discussão. Mas claro, é apenas a minha opinião…

Para finalizar, aproveito este espaço para divulgar um debate que contará com a presença de várias entidades, sob o tema “A População, o Ambiente e o novo PDM de Portalegre”. Organizado pelo Núcleo de Portalegre da QUERCUS, o debate decorrerá no próximo dia 13 de Março, pelas 21h00, no auditório do Instituto Politécnico de Portalegre, junto à igreja da Sé.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado – http://www.pontoverde.pt/ – sitio da Sociedade Ponto Verde

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

AMEAÇA NA ALBUFEIRA DO CAIA


Decorreu na Albufeira do Caia, entre 18 e 21 de Agosto de 2005, a primeira edição do Freedom Festival, acontecimento baseado na realização de um espectáculo de quatro dias de música electrónica contínua. Organizado pelas editoras Crystal Matrix (Portugal) e Spun Records (EUA), o evento atraiu ao local cerca de 8 milhares de pessoas, tendo ocupado uma área de aproximadamente 100 ha, incluindo leito, ilhas e margens da albufeira. Os participantes acamparam no local, tendo muitos deles prolongado a sua estadia para além do festival. Um evento desta dimensão implica, inevitavelmente, impactes negativos para a natureza. Foi isso que aconteceu na Albufeira do Caia, onde as aves estiveram vários tempos sem aparecer, devido ao impacte sonoro do acontecimento. A primeira edição do festival foi licenciada pela Câmara Municipal de Elvas como um mero “acampamento ocasional” e o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional limitou-se a cobrar uma importância pela captação de água e a emitir, a posteriori, uma licença-tipo para a ocupação do domínio hídrico, válida para duas semanas após o acontecimento.

Não obstante a incompatibilidade entre os valores naturais existentes no local e um evento destas características, está anunciada pela organização uma segunda edição para os próximos dias 16 a 20 de Agosto. As associações CEAI, FAPAS, GEDA, LPN, Quercus e SPEA contestam a realização de um festival de música alternativa na Albufeira do Caia face aos impactos sobre o ambiente. Manifestando disponibilidade para colaborar na procura de um local alternativo, as associações signatárias consideram lamentável que a organização continue a insistir num local que deve ser usufruído de forma sustentável e exigem, da parte das entidades competentes, a defesa dos valores naturais em questão, inviabilizando futuras edições do festival.
Ao contrário do ano 2005, durante o período do festival, em 2006 o local acolhia mais de um milhar de aves de diversas espécies, destacando-se aquelas com um estatuto de conservação mais desfavorável, nomeadamente: Cegonha-preta (Ciconia nigra), Pato-de-bico-vermelho (Netta rufina), Águia-pesqueira (Pandion haliaetus), Sisão (Tetrax tetrax), Chilreta (Sterna albifrons) e Tagaz (Sterna nilotica). Acresce que coincidiu com o início da época de caça, quando o local é procurado como refúgio pelas aves que nidificam na zona envolvente, daí resultando prejuízos óbvios. Desta forma a reedição do festival estará de novo em claro conflito com a legislação portuguesa, ao violar a Directiva Aves.
A somar à perturbação extrema causada pelo ruído e pela iluminação, o palco principal e diversas tendas foram instaladas numa das ilhas que vem sendo objecto de gestão de habitat tendo em vista a conservação de espécies de aves ameaçadas, acção da responsabilidade da SPEA - Sociedade para o Estudo das Aves e do PNSSM - Parque Natural da Serra de S. Mamede. Apesar de não se terem registado danos significativos na vegetação, o espaço ficou repleto de dejectos, o que impediu a realização de uma actividade de voluntariado agendada pela SPEA para o Outono de 2005. Além da eventual degradação da qualidade da água, o espaço utilizado e a área envolvente ficaram manchados por diversos tipos de resíduos, estacas semi-enterradas, buracos abertos e dezenas de placas de sinalização rodoviária com a marca da organização.
Os benefícios económicos para a região foram praticamente inexistentes, tendo-se traduzido apenas num efémero acréscimo de movimento nos transportes em táxi e nalguns estabelecimentos comerciais e de restauração.

È necessário que haja uma atenção especial para esta situação por parte das autoridades intervenientes e competentes. É preciso colocar todos os impactes na “balança” (positivos e negativos) e averiguar se o local escolhido é o mais adequado. Sem estar contra a realização de tal festival, não tenho dúvidas de que certamente haverá outros locais em que os impactes seriam inferiores. Veremos o que vai prevalecer…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado – http://www.quercus.pt/ – ver o comunicado relacionado com o festival

sábado, fevereiro 10, 2007

SEPNA



Criado no ano de 2001, o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da Guarda Nacional Republicana, tem feito um excelente trabalho em prol do ambiente. Assume o carácter de uma nova especialização dentro dos quadros das Armas e Serviços já existentes, com o objectivo de dar uma resposta adequada aos problemas na área da Protecção da Natureza e do Meio Ambiente, obedecendo a vários parâmetros organizacionais, operacionais e funcionais.
O SEPNA tem como missão zelar pelo cumprimento das disposições legais e regulamentares referentes à protecção e conservação da natureza e do ambiente, bem como prevenir, reprimir e investigar os respectivos ilícitos, mediante o desenvolvimento de inúmeras actividades, entre as quais:
Colaborar com as Autoridades e Organismos correspondentes para planificar e executar uma política eficaz nesta matéria;
Fomentar condutas de respeito pela natureza;
Proteger o meio ambiente natural, impedindo actividades que possam degradá-lo;
Realizar acções tendentes a favorecer o normal desenvolvimento da fauna e flora (continentais e marítimas) e particularmente das espécies protegidas, protegendo as espécies vivas existentes;
Contribuir para o correcto aproveitamento dos recursos florestais, cinegéticos e piscícolas;
Colaborar na prevenção de incêndios florestais;
Verificar o estado de conservação dos recursos hídricos (continentais e marítimos), geológicos e florestais, impedindo qualquer tipo de contaminação, agressão ou aproveitamento abusivo;
Proteger o meio ambiente, vigiando o seu grau de contaminação;
Proteger e conservar o Património histórico e natural;
Velar pela observância das disposições legais relativas às leis sanitárias;
Desenvolver, subsidiariamente, todas as restantes tarefas que respeitem à missão geral da Guarda;
Ao longo dos anos muitas têm sido as infracções detectadas: ano 2002 – 4538 infracções; ano 2003 – 9357 infracções; ano 2004 – 10804 infracções; ano 2005 – 13466 infracções; ano 2006 – 11810. Os números falam por si…
Paralelamente com o SEPNA foi criada uma linha telefónica que as pessoas podem usar para fazer uma denúncia ambiental. A linha chama-se SOS – Ambiente e Território e o número é o 808 200 520. Também a página do SEPNA pode ser utilizada para esse fim, através do preenchimento de um formulário.
Actualmente, a Policia de Segurança Pública também já dispõe de Brigadas do Ambiente, embora ainda numa fase inicial.
Sem dúvida que o SEPNA merece a minha singela homenagem neste pequeno espaço de opinião, uma vez que estas organizações ajudam bastante no combate ao crime ambiental e ainda bem que assim acontece, é que anda por aí cada artista…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado – http://www.gnr.pt/portal/internet/sepna/ - página do SEPNA

sábado, janeiro 27, 2007

AMBIENTE - TEMA POLITICO


As alterações climáticas foram o tema em destaque no primeiro debate mensal deste ano com o Governo na Assembleia da República. Assim, o Ambiente parece estar em cima da mesa dos políticos. Refira-se que também o presidente americano Bush, referiu numa intervenção sua, a necessidade de poupança de energia, mas neste caso e em minha opinião, apenas para desviar as atenções do Iraque.

O primeiro-ministro afirmou que o Governo vai reforçar a ponderação ambiental no Imposto Automóvel (IA) que atingirá 30% a 1 de Julho próximo e 60% em Janeiro de 2008. “Portugal estará assim na linha da frente dos países que adoptaram a eficiência ambiental como critério decisivo na taxação do automóvel”, salientou Sócrates.
Um outro ponto focado diz respeito a um diploma para incentivar a aquisição de lâmpadas de baixo consumo, taxando mais as lâmpadas incandescentes que duram menos tempo e gastam 80% mais de energia.
Ainda segundo Sócrates, o executivo irá lançar um programa de micro-geração para “democratizar a produção de electricidade, tornando-a acessível a todos”. Com isto quer dizer que nas nossas casas, para além de consumidores de energia, devemos também ser produtores de electricidade, vendendo à rede aquilo que não consumimos.
Quanto à redução das emissões, referiu que a Central de Tunes, a gasóleo, e dois grupos da Central do Carregado, a fuel, vão encerrar definitivamente em 2008. “A Central do Barreiro, a fuel, encerrará em 2010 e também neste ano as restantes centrais a fuel entrarão num regime de funcionamento zero, mantendo-se apenas para casos de emergência”.
Quanto às centrais a carvão “irão substituir entre cinco e dez por cento do carvão aí queimado por biomassa ou resíduos”. Com isto será possível reduzir as emissões até um milhão de toneladas de CO2 por ano.

Portugal entregou o Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão entre 2008 e 2012 (PNALE II) à Comissão Europeia, mas este é um dos planos nacionais que ainda estão a aguardar uma decisão de Bruxelas. O PNALE II prevê a atribuição de 37,9 milhões de toneladas por ano de emissões de CO2, mas a tendência da comissão até agora tem sido exigir maiores reduções aos Estados-Membros, assim como o reforço das medidas internas.
Posto isto, vai ser necessário apertar o cinto das emissões poluentes. E nisto de apertar o cinto, os portugueses já têm alguma experiência…


Saudações Ambientais

segunda-feira, janeiro 15, 2007

O BOM SAI BEM...

Foi aprovado recentemente um mega-projecto da Pescanova a realizar numa zona classificada como Rede Natura 2000. O presente projecto foi, numa primeira fase, chumbado em Espanha exactamente por estar em Rede Natura.
Em Portugal, o Estado Português não só o aprovou, como vai financiá-lo como Projecto de Interesse Nacional, em cerca de 45 milhões de euros, em subsídios e créditos fiscais.
O projecto da multinacional espanhola Pescanova consiste na construção da maior fábrica de pregado do mundo em Mira, no Distrito de Coimbra, com uma produção estimada de 10.000 toneladas de peixe por ano, sendo 90% destinados à exportação para o mercado europeu.

Segundo o Jornal de Negócios, o investimento é de cerca de 350 milhões de euros e vai criar, pelo menos, duas centenas de novos postos de trabalho.
Trata-se sem dúvida de um projecto importante para a recuperação da economia nacional, no entanto possui elevados impactes ambientais negativos, uma vez que implica a destruição de mais de 100 hectares de terrenos florestados ou com vegetação dunar classificados como Rede Natura. Basta olharmos para uma situação bastante actual, Costa da Caparica, para percebermos a gravidade desta situação.
O Homem vai intervindo na natureza a seu belo prazer, indignando-se à posteriori com as catástrofes que daí resultam.
Sou, sem dúvida, a favor do desenvolvimento das sociedades, mas projectos como este, demonstram um desenvolvimento muito pouco sustentável.

Como refere a Associação Quercus em comunicado, torna-se preocupante a tendência verificada em Portugal de utilizar a legislação dos Projectos de Interesse Nacional para facilitar a construção em terrenos classificados, em desrespeito pela legislação comunitária. É a tal questão da última alínea que nega tudo que foi dito anteriormente…

Para terminar esta que é a edição n.º 50 da Fonte Verde, queria apenas deixar a minha palavra de incentivo ao colega e amigo Artur Ribeiro, que começou a escrever também sobre Ambiente no Jornal Alto Alentejo. Todos juntos seremos sempre poucos em prol do Ambiente.
SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

terça-feira, dezembro 26, 2006

NATAL AMBIENTAL


Mais um ano passou e o Natal está de volta para animar as crianças e desanimar a carteira dos pais.
Nesta época em que todos se lembram dos mais necessitados (pena ser só nesta altura!), é bom que não nos esqueçamos do ambiente.
Pode dizer-se que no mês de Dezembro a produção de resíduos é bastante elevada, fruto do consumo desmedido que se verifica um pouco por todo o lado.
Neste sentido, a associação ambientalista Quercus, à semelhança do que fez em anos anteriores, enumera alguns conselhos para que todos tenham um Natal mais ecológico. Seleccionei apenas os conselhos “pós Natal”, tendo em conta a altura em que nos encontramos. Assim:
- Guarde os laços e o papel de embrulho para que os possa utilizar noutras ocasiões; muitas embalagens, caixas de prendas, papéis de embrulho podem ser utilizados pelas crianças para fazer divertidos objectos, como máscaras, porta canetas, etc.
- Separe todas as embalagens – papel/cartão; plástico; metal – e coloque-as no ecoponto mais próximo, evitando assim os amontoados de lixo que marcam o dia de Natal; este é um bom momento para verificar se foi um cidadão ambientalmente consciente nas suas compras.
- Depois das festas, vêm as limpezas. Procure reduzir a quantidade e perigosidade dos produtos de limpeza que utiliza. Prefira os biodegradáveis e/ou em recargas.
- Não deite as pilhas para o lixo, coloque sempre no pilhão. As pilhas recarregáveis são uma alternativa económica e ecológica.
- Reflicta ao longo do ano sobre a utilidade que foi dada às prendas que ofereceu.
- Mantenha-se solidário com as diversas campanhas que se vão desenrolando ao longo do ano.

Se seguir estes conselhos, terá certamente um Natal mais sustentável.

Resta-me finalmente, desejar-lhe a si caro(a) leitor(a) e a toda a sua família o Natal mais feliz de todos e que o próximo ano traga tudo aquilo que vocês desejarem.
Quanto a mim, voltarei no próximo ano com mais…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

domingo, dezembro 10, 2006

OLIMPÍADAS DO AMBIENTE


Estão abertas, até ao próximo dia 05 de Janeiro de 2007, as inscrições para as XII Olimpíadas do Ambiente. Os destinatários são os alunos do 7.º ao 12.º ano de escolaridade do ensino diurno e nocturno de escolas públicas, privadas ou do ensino cooperativo, em Portugal Continental e Ilhas.
Trata-se de um concurso de problemas e questões relacionadas com o Ambiente, abrangendo diversas áreas tais como: conservação da natureza, recursos naturais, poluição, ameaças globais, politica ambiental, entre outros.
A iniciativa tem como objectivos principais incentivar o interesse pela temática ambiental, aprofundando o conhecimento sobre a realidade portuguesa e mundial. Pretende ainda estimular a capacidade oral e escrita, assim como desenvolver a curiosidade científica, estimulando o espírito de equipa e a dinâmica de grupo.
A coordenação está a cargo de uma equipa composta por elementos da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e do Zoomarine - Mundo Aquático SA.
Existem duas categorias: A (do 7.º ao 9.º ano de escolaridade) e B (do 10 ao 12.º ano de escolaridade), sendo o preço da inscrição de 10 euros por categoria e por escola. Refira-se que a inscrição deverá ser feita na página de Internet da iniciativa, onde poderão também consultar o regulamento (ver site recomendado).
Todos os alunos inscritos nos anos escolares abrangidos são convidados a participar através da sua escola, e nenhum pode ser discriminado com base na idade, sexo, crenças religiosas, deficiências intelectuais ou motoras, competências específicas ou área de ensino.
O Concurso vai desenrolar-se em três eliminatórias: • 1ª Eliminatória – Teste escrito com questões de escolha múltipla e uma pergunta de desenvolvimento. São apurados para a segunda eliminatória os melhores alunos a nível nacional e também os melhores por escola.
• 2ª Eliminatória – Teste escrito com questões de escolha múltipla e duas perguntas de desenvolvimento. Esta eliminatória decorrerá nas escolas com alunos seleccionados. Para a Final Nacional, são apurados os melhores a nível nacional e os melhores por distrito/ilha.• Final nacional – Ao longo de um fim-de-semana, os finalistas realizarão um teste escrito com questões de escolha múltipla, uma prova oral em grupo, participarão num conjunto de actividades práticas (feira de experiências laboratoriais e descoberta de uma zona protegida) e um colóquio/debate na sessão solene de entrega de prémios. Os vencedores poderão ser posteriormente contactados pelos Serviços de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian para participar no London International Youth Science Forum.Trata-se portanto de uma excelente oportunidade para os “nossos” alunos mostrarem aquilo que valem e provarem que o ambiente é para eles algo de muito importante.
SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado: www.esb.ucp.pt/olimpiadas - Página das Olimpíadas do Ambiente

segunda-feira, novembro 27, 2006

COMPOSTAGEM NAS ESCOLAS



Arrancou no passado dia 06 de Novembro o projecto “Compostagem nas Escolas”. Desenvolvido pela Câmara Municipal de Portalegre e com a colaboração da VALNOR, o projecto abrange neste momento oito escolas da cidade de Portalegre: Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Escola Superior de Educação, Escola Secundária S. Lourenço, Escola Secundária Mouzinho da Silveira, Escola B. 2,3 José Régio, Escola B. 2,3 Cristóvão Falcão, Escola Básica 1 da Corredoura e Escola Básica 1 dos Assentos.
O projecto foi pensado já em 2004, mas por várias razões arrancou apenas este ano. Antecipando o arranque da Central de Compostagem da VALNOR, no próximo ano, pretende levar aos jovens o processo da reciclagem orgânica, uma vez que quanto à reciclagem de inorgânicos como o papel, plástico e o vidro, as coisas têm corrido bem, fruto também das inúmeras acções de divulgação e sensibilização.

Foi entregue a cada escola participante um compostor, que é o recipiente semelhante a um contentor do lixo, no qual se vai desenvolver o processo da reciclagem orgânica. Foi seleccionada uma turma por escola para ficar responsável pelo compostor, no entanto todos podem participar colocando os resíduos orgânicos apropriados tais como: restos de hortaliça, cascas de fruta, folhas e sacos de chá, cascas de batatas, aparas de relva, folhas, ervas, ramos de arbustos, palha, entre outros.
No final do processo o que sobra é uma substância com cheiro a terra semelhante a um solo rico em substâncias orgânicas. O composto pode ser usado em relvados, jardins, quintais, à volta das árvores ou mesmo em plantas envasadas. Este fertilizante melhora a estrutura e porosidade dos solos, quer arenosos quer calcários, permitindo uma melhor retenção de água e nutrientes e um melhor arejamento, reduzindo a erosão. Alguns estudos demonstraram que o uso do composto diminui a ocorrência de determinadas pragas das plantas.
Refira-se que este processo é muito demorado, uma vez que é necessário algum tempo para a matéria orgânica entrar em decomposição, pelo que faço um apelo às escolas participantes, não desmotivem com o passar do tempo, pois o resultado final vai-vos surpreender certamente.
Bom trabalho para todos e que façam um bom composto.

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado – http://www.cm-portalegre.pt/ (consultar o tema Ambiente e a secção compostagem doméstica)

domingo, novembro 12, 2006

CHUVA,CHUVA,CHUVA

Nesta secção, que estás prestes a comemorar dois anos de existência, resolvi iniciar com um artigo sobre as alterações climáticas. Agora, passado esse tempo, escrevo novamente sobre o assunto, até porque os acontecimentos dos últimos dias, levaram muitas pessoas a questionarem-se sobre o porquê de determinados acontecimentos.
Será normal chover tanto como tem chovido? E muitos dizem “Claro, estamos no tempo da chuva, se não chover agora quando vai chover?!” ou então “Com 60 anos de vida, eu nunca vi uma coisa assim, não sei de onde vem tanta água!”. Muitas são as opiniões, qual delas a correcta? Talvez não haja resposta correcta…

Iniciou-se no passado dia 06 de Novembro em Nairobi, no Quénia, a 12.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. A Quercus também está presente através de um membro da Direcção Nacional Francisco Ferreira (por acaso, um antigo professor meu). Vários são os temas debatidos, entre eles: - Que objectivos para a redução de emissões de gases de efeito de estufa após o final do primeiro período de compromissos do Protocolo de Quioto em 2012? - Como envolver os países em desenvolvimento? - Que perspectivas para os Estados Unidos virem a integrar um compromisso no quadro de obrigações existentes e/ou a desenvolver? - Como lidar com o número cada vez maior de evidências relativas aos impactes das alterações climáticas à escala mundial e em Portugal.

A situação actual não está nada favorável, basta olharmos para as palavras do ministro do Ambiente queniano, Kivutha Kibwana, já durante a conferência: «As alterações climáticas estão rapidamente a emergir como uma das ameaças mais sérias que a humanidade alguma vez poderá enfrentar».
Portugal em 2004 estava 40,8% acima de 1990, obrigando o Protocolo de Quioto a um aumento limite de 27%. O Governo já assumiu que em relação à meta de Quioto de 76,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente se verificará uma ultrapassagem em 5,8 milhões de toneladas/ano, implicando um custo total de 348 milhões de euros que já começaram a ser assumidos pelos Orçamentos de Estado de 2006 (6 milhões de euros) e 2007 (72 milhões de euros) na constituição de um Fundo de Carbono. Para assegurar o cumprimento das estimativas de cumprimento do Protocolo de Quioto presentes no Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) publicado em Agosto de 2006, tal implica uma redução média das emissões de gases de efeito de estufa em cerca de 1% por ano entre 2004 (último ano com dados de emissões conhecidos) e 2012. Esta redução decorre da ultrapassagem prevista no PNAC atingir 36,6% acima dos níveis de 1990 (isto é, 9,6% acima dos 27% estabelecidos no Protocolo de Quioto). Sabendo-se que em 2005 houve um aumento das emissões em Portugal derivadas da seca, a redução deverá no entanto ser superior. Esta redução é vista pela Quercus e confesso, que por mim próprio, como muito optimista face à incapacidade de implementação das medidas de redução de gases de efeito de estufa previstas.

No final, vamos pagar (e muito) para poluir…

SAUDAÇÕES AMBIENTAIS

Site recomendado: www.quercus.pr – Associação Nacional de Conservação da Natureza